Quase 1.700 animais selvagens acolhidos pela Quercus: "Número tem vindo a aumentar de ano para ano"

Associação divulgou um balanço anual do trabalho desenvolvido nos três centros para assinalar o Dia Mundial da Vida Selvagem, que é celebrado esta terça-feira. As aves representaram o maior número de entradas.
Redação
Redação
03 mar. 2026, 08:00

Os Centros de Recuperação da Quercus acolheram 1.673 animais selvagens, no ano passado, o que representa um aumento de 7% face a 2024. A associação divulgou um balanço anual do trabalho desenvolvidos nos três centros - o CERAS (Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens), em Castelo Branco, o CRASM (Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Montejunto), no Cadaval, e o CRASSA (Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Santo André), no Litoral Alentejano - para assinalar o Dia Mundial da Vida Selvagem.

No comunicado divulgado, a Quercus refere que "o número de animais acolhidos tem vindo a aumentar de ano para ano". A associação revela que cerca de 1.577 animais ingressaram nestes centros com vida e 42,2% foram devolvidos ao seu habitat natural.

As aves representaram o maior número de entradas (83,8% do total de admissões), seguidas dos mamíferos (14,4%) e, em menor proporção, dos répteis e anfíbios (1,7%). Entre as espécies acolhidas ao longo do ano, destacaram-se, pelo maior número de admissões, a Gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis) (8,3%), a Andorinha-dos-beirais (Delichon urbicum) (7%), o Andorinhão-pálido (Apus pallidus) (6,2%) e o Ouriço-europeu (Erinaceus europaeus) (6,1%).

Foram acolhidos também 127 animais classificados como ameaçados, incluindo 111 de estatuto “Vulnerável”, 10 “Em Perigo” e 6 “Criticamente em Perigo”. Entre estas espécies destacam-se o Milhafre-real (Milvus milvus), o Abutre-preto (Aegypius monachus), a Águia-real (Aquila chrysaetos) e o Cágado-de-carapaça-estriada (Emys orbicularis).

O mês de julho foi o que concentrou o maior número de entradas, uma tendência já observada em anos anteriores: só neste mês foram acolhidos 440 animais (26% do total anual), com destaque para um elevado número de crias órfãs.

Entre os casos mais registados pela Quercus estão a queda do ninho ou orfandade (35,1%) e os traumatismos de origem desconhecida (19,3%). Há ainda situações resultantes de perseguição humana direta, como tiro (1,1%), cativeiro ilegal (1,7%) e envenenamento (0,09%).