Quatro anos depois da inauguração do terminal de Campanhã, Porto já estuda nova infraestrutura

A STCP Serviços adjudicou um estudo para reorganizar a rede de terminais rodoviários do Porto e definir a localização, função e modelo operacional de um novo terminal intermodal que complemente a atual infraestrutura de Campanhã.
Agência Lusa
Agência Lusa
29 mai. 2026, 13:49

A STCP Serviços, gestora de terminais rodoviários no Porto, contratou um estudo de reorganização destas infraestruturas na cidade, incluindo uma "estratégia para o novo terminal" no município, após a inauguração do de Campanhã há menos de quatro anos.

Segundo um contrato de 59 mil euros com a empresa Engimind publicado no sábado no portal Base, e consultado esta sexta-feira pela Lusa, os serviços dividem-se em três fases, das quais a primeira envolve o "diagnóstico e proposta de reestruturação da rede de terminais existente" e a "estratégia para o novo terminal do Porto".

Em causa está a "reestruturação funcional e hierarquização da rede de terminais e interfaces de transporte público e de longo curso" no Porto, visando "caracterizar o sistema atual e definir um modelo hierarquizado e funcionalmente integrado de terminais, incluindo a localização e papel do novo terminal".

Quanto ao novo terminal, pretende-se a "identificação da localização preferencial", uma "análise crítica de localizações alternativas, com base em critérios técnicos (acessibilidade, integração modal, impactes urbanos e operacionais)" e a "definição do conceito funcional do terminal".

É também pretendida a "definição do modelo de funcionamento integrado da rede de terminais", numa "lógica de distribuição de serviços (longo curso, interregional, metropolitano)", visando a "redução de redundâncias e sobreposição de serviços".

Quanto à lógica operacional do novo terminal, esta deverá ter definida a "tipologia de serviços a integrar", o "papel na rede ('hub' principal, terminal complementar, etc.)" e "articulação com restantes interfaces urbanos e metropolitanos".

A fase 2 do estudo inclui a definção do "'layout' [desenho] funcional do novo terminal", a elaboração de um "documento de avaliação funcional e operacional, incluindo modelo de microssimulação e respetiva nota técnica de resultados", e ainda "elementos técnicos necessários ao lançamento do procedimento de contratação" da nova infraestrutura.

Em mais detalhe, definirá a localização do novo terminal e os serviços a integrar, incluindo linhas, frequências e horários e serviços de apoio ao utilizador e, quanto ao 'layout', as "ligações à rede viária estruturante" e "acessos dedicados a transporte público e modos suaves".

Na componente de organização interna, é visada a definição de áreas operacionais de autocarros, áreas pedonais, áreas para serviços de apoio e serviços complementares (táxis, TVDE, boleias, estacionamento de bicicletas e ligação a ciclovias).

Pretende-se também definir a integração modal, nomeadamente as ligações ao Metro do Porto, CP, STCP e rede Unir, e também infraestruturas de suporte, como acessos viários, estacionamento e espaços para expansão futura.

Na avaliação funcional e operacional será feita uma "análise de circulação interna" e uma "avaliação dos movimentos críticos, especificamente as entradas e saídas, havendo também o desenvolvimento de microssimulações com "simulação veicular e pedonal, avaliação em cenário de hora de ponta e identificação de conflitos e constrangimentos operacionais".

Já a fase 3 inclui a elaboração de "um modelo de rede de transporte coletivo", "documentação técnica de apoio ao modelo de transportes" e "realização de ações de formação".

Aqui, pretende-se uma representação da oferta de transporte dos expressos de longo curso, CP, STCP, Metro do Porto e serviços metropolitanos, com cuidado relativo à "modelação das interligações", nomeadamente pontos de transbordo e penalizações associadas.

Atualmente, a STCP Serviços, que irá mudar o nome para MobT Porto, gere, no longo curso, o Terminal Intermodal de Campanhã (TIC, inaugurado em 2022) e, de âmbito metropolitano, os das Camélias, Bom Sucesso e Asprela.

O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, propôs, na campanha eleitoral, um novo terminal rodoviário intermodal junto à estação de metro Nasoni para responder à sobrelotação do TIC, com custo estimado de seis milhões de euros.