Rajadas fortes derrubaram várias estruturas e árvores em Vinhais

Rajadas convectivas associadas a um mini-tornado deixaram um rasto de destruição em Mofreita e Fresulfe.
Redação
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Agência Lusa
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08 abr. 2026, 10:03

O mau tempo registado na tarde de terça-feira e madrugada desta quarta-feira provocou vários danos materiais nas aldeias de Mofreita e Fresulfe, no concelho de Vinhais, onde se observou um fenómeno extremo de mau tempo, com rajadas intensas.

O fenómeno terá sido causado por um mini-tornado, associado a rajadas convectivas, que atingiu a região com vento forte e chuva intensa. A ocorrência resultou na queda de árvores e de diversas estruturas, deixando um rasto de destruição nas duas localidades de Vinhais.

Noémia Gonçalves estava em casa quando, por volta das 16:00, presenciou aquilo que apelidou de “remoinho”, devido ao vento forte e à trovoada.

“Da minha janela, que a tinha aberta, vi um cerdeiro a cair (…) e vi aquele vento todo e saí cá fora, abri a porta de casa. Se eu não fecho a porta o vento entrava para dentro de casa e acho que me levava tudo (…) Foi uma coisa forte e repentina, foi em frações de segundos”, contou a moradora à Lusa.

“Segundos” que foram suficientes para lhe destruir parte do armazém, onde tinha alfaias agrícolas, e partir castanheiros com muitos anos. “Foi no telhado do armazém, já estivemos a ver, umas telhas que me partiu e fez-me lá um buraco no meio e os castanheiros, então foi uma razia aqui para cima (…) Não arrancou, esgalhou mesmo, só ficou o tronco”, lamentou.

Noémia Gonçalves admitiu ter ficado tão assustada que não conseguiu dormir esta noite. “Eu, na idade que tenho, nunca vi um fenómeno como este, nunca”, afirmou.

A presidente da União das Freguesias de Soeira, Fresulfe e Mofreita, Maria Alice Silva, esteve no terreno a tomar nota dos prejuízos, juntamente com técnicos do município de Vinhais.

Em declarações à Lusa, a autarca avançou que houve “bastantes estragos”, cinco infraestruturas ficaram danificadas, castanheiros “arrancados e literalmente destruídos”, e durante “cerca de seis horas” a aldeia ficou sem eletricidade.

“Nunca tinha visto um fenómeno destes e mesmo a própria população nunca assistiu a um fenómeno destes. Alias, há pessoas que viveram mais de perto e neste momento ainda estão assustadas com o que aconteceu ontem [terça-feira]”, referiu.

Tiago Barreira foi outra das pessoas que presenciou os estragos do vento extremo. Estava a trabalhar numa obra quando tudo aconteceu. “Vi chapas e telhas pelo ar e tudo, galhos de árvores. São coisas que passam rápido. (…) Foram quatro ou cinco segundos e depois ficou tudo calminho”, contou à Lusa.

Perto desta obra está um estábulo de vacas que ficou sem telhado. O proprietário só soube dos estragos momentos depois. Nenhum animal ficou ferido, mas a infraestrutura ficou praticamente destruída.

Segundo a presidente da União das Freguesias, o município de Vinhais já se disponibilizou para ajudar as pessoas afetadas.

À Lusa, o presidente da Câmara de Vinhais, Luís Fernandes, reiterou que estão a fazer o levantamento dos prejuízos e que o município está disponível para ajudar, nomeadamente na reposição de materiais.

Ainda assim, irá reportar a situação à Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes e ao Governo.