Represas de castores aumentam armazenamento de carbono nos rios
As represas construídas por castores permitem armazenar 26% mais carbono nos rios e cursos de água, conclui um estudo da Universidade britânica de Birmingham e do Centro de Pesquisa Ecológica e Aplicações Florestais (CREAF) da Universidade de Barcelona.
A atividade dos castores tem efeitos positivos no ciclo da água, aumentando a infiltração e recarregando os aquíferos, destaca o centro de pesquisa espanhol, em comunicado divulgado esta quarta-feira, adiantando que o carbono é acumulado principalmente em sedimentos e madeira morta, podendo permanecer armazenado por até três décadas.
Os castores constroem represas cortando galhos, arbustos e pequenas árvores, que depois entrelaçam com lama, pedras e sedimentos do próprio rio, uma estrutura que diminui a velocidade da água, retém sedimentos e expande áreas húmidas, transformando rios em sumidouros de carbono, explicou um dos autores do estudo, Joshua Larsen.
Devido à caça, este roedor desapareceu do mapa europeu no século XIX mas começou a ser reintroduzido em Espanha no ano 2000 em áreas com vegetação adaptada à presença do castor, explicou o coautor da investigação, Josep Barba, salientando que o estudo demonstra os benefícios que este mamífero proporciona na mitigação das mudanças climáticas.
Abordando as preocupações do setor agrícola, especialmente em relação ao potencial impacto nas plantações localizadas nas margens dos rios, Josep Barba explicou que a atividade dos castores se concentra nos primeiros 20 metros da margem, tendo um impacto muito localizado.
O estudo foi conduzido durante um ano num trecho de 800 metros do rio Reno, na Suíça, onde existem castores desde 2010, tendo os investigadores medido os fluxos de carbono que entravam e saíam do sistema, em três pontos ao longo do rio: a montante da barragem, dentro da área modificada pelos castores e a jusante.
Para quantificar as emissões de dióxido de carbono (CO2) e metano, foram combinadas medições de fluxo com sensores automatizados, amostragem de água e bolsas de gás, além de análises aos sedimentos e biomassa para calcular o armazenamento de carbono.