Ribau Esteves confiante quanto à recuperação pós-tempestades: “Podemos chegar ao verão com a componente da habitação arrumada”

O presidente da CCDR Centro, Ribau Esteves, alertou para a pressão causada pelas fenómenos extremos, destacando a necessidade de resposta rápida e reforço do poder regional. Declarações dadas em entrevista à jornalista Estela Machado, na rubrica Informação Objetiva, do programa Juca.
 
Rui Mendes Morais
Rui Mendes Morais Jornalista
Redação
Redação
27 mar. 2026, 11:30

Terminou a auscultação e consulta pública do programa Portugal Transformação, Recuperação e Residência (PTRR), num contexto marcado por desafios acrescidos ao nível da recuperação territorial e resposta as catástrofes naturais causadas pelas tempestades. Para além do apoio de emergência, já foram aprovados mais de 300 milhões de euros, num processo que contabiliza também 75 mil sinistros resolvidos.

O presidente da comissão de coordenação e desenvolvimento regional (CCDR) do centro, Ribau Esteves em entrevista à jornalista Estela Machado, na rubrica Informação Objetiva, do programa Juca, garantiu que “as prioridades da CCDR não mudam”. Apesar das novas exigências, referiu que estão em curso outras intervenções, como a recuperação dos incêndios na Serra da Estrela em 2025 e a tentativa de solucionar impactos das tempestades entre o final de janeiro e início de fevereiro.

O responsável explicou que a atual situação representa “um trabalho acrescentando, que tem uma premência de resposta rápida diferente de tudo o resto, mas não tira importância a nada”, sublinhando a complexidade da gestão simultânea de múltiplas crises.

Sobre os estragos provocados pelas cheias, destacou tratar-se de uma “premência (…) em que há uma reação rápida (…) no apoio ao rendimento, à recuperação das habitações, à capacidade produtiva das empresas, na agricultura no apoio aos municípios (…). Tudo isso está em desenvolvimento e tem uma prioridade”.

Ribau Esteves alertou ainda para o impacto das alterações climáticas, afirmando que “a natureza manda e nós às vezes achamos que a controlamos (…), a ciência vai-nos dando nota que as alterações climáticas transformam estes fenómenos o radicais”, lembrando que a concentração de precipitação tem consequências significativas em meio urbano.

No plano institucional, defendeu o reforço do poder regional, considerando que “a boa gestão pública é sempre útil para gerir a normalidade e a anormalidade”, acrescentando que “faz falta um patamar de poder, porque se conhece melhor o território, para conseguir reagir”, numa referência à necessidade de evolução das CCDR para estruturas com maior autonomia.

O presidente da CCDR Centro sublinhou ainda que este nível de gestão pode contribuir para aproximar o litoral e o interior, promovendo maior equilíbrio territorial. Relativamente à execução do PTRR, revelou que existem “19 mil candidaturas na habitação, 3 mil  completamente tratadas, 500 pagas e 900 indeferidas (…). É bom lembrar que 70% referentes aos municípios de Leiria, Pombal e Marinha Grande”, os municípios mais afetados.

Por fim, deixou um aviso sobre os prazos de execução, reconhecendo que “a carga de trabalho é brutal (…). Não há volta a dar, é preciso tempo, é preciso muito mais trabalho”, considerando ser “arriscado dizer, que em três meses está pronto”. Ainda assim, manifestou a convicção de que “podemos chegar ao verão com a componente da habitação arrumada”.

O responsável concluiu que, apesar dos avanços, a complexidade e dimensão dos processos exigem tempo e continuidade no esforço para garantir uma recuperação eficaz.