Sé da Guarda vai finalmente deixar de ser a única catedral portuguesa sem órgão de tubos
A Sé da Guarda já tem a decorrer uma nova etapa da sua história musical com o arranque dos trabalhos de instalação do tão aguardado órgão de tubos. As intervenções começaram com a desmontagem do guarda-vento situado na entrada voltada para a Praça Velha, marcando o primeiro passo para a colocação do instrumento.
Segundo o presidente da Câmara Municipal da Guarda, atualmente estão a ser realizadas sondagens técnicas no local, prevendo-se um conjunto de intervenções detalhadas e cuidadosas ao longo dos próximos meses, dada a complexidade da obra.
"Este instrumento é muito aguardado pela população e é muito importante para a afirmação da cultura da Guarda, neste caso, da cultura ligada à musica erudita, em concreto da música clássica, mas também será um ponto de atração turística”, realça Sérgio Costa, acrescentando que a obra estará finalizada em junho.
O novo órgão, concebido pelo organista e organeiro francês Frédéric Desmottes, foi integralmente construído nas oficinas da sua Organaria, em Landete, Espanha. Com dimensões imponentes, cerca de oito metros de altura, quase cinco metros de largura e um peso aproximado de seis toneladas, o instrumento será instalado sobre a porta principal da Sé voltada para a Praça Velha.
Dispõe de 41 registos (sonoridades), distribuídos por quatro departamentos sonoros – positivo de costas, grande órgão, órgão expressivo e pedal – e inclui cerca de 2.700 tubos, “o que lhe confere uma riqueza tímbrica que permitirá interpretar um vasto repertório musical, desde a música sacra tradicional a obras de maior complexidade técnica”, indica a diocese.
Todo o processo de construção foi realizado de forma artesanal e integral nas oficinas de Desmottes, desde a fundição do metal dos tubos até à execução do móvel, das talhas, dos teclados, dos foles e dos mecanismos internos.
O investimento total é de cerca de 1,2 milhões de euros, contando com um apoio comunitário de cerca de 500 mil euros, através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). O financiamento resulta de uma parceria entre o PRR, o Município da Guarda e a Diocese, com o contributo adicional de particulares e entidades públicas e privadas, através da campanha solidária “Tubo a Tubo”.
Durante o período das obras, o acesso ao interior da Sé será preferencialmente feito pela porta lateral sul, na Rua D. Miguel de Alarcão, mantendo-se, sempre que possível, a entrada pela porta principal. Com esta intervenção, a Sé da Guarda deixa de ser a única catedral portuguesa sem órgão de tubos, recuperando um elemento central da sua tradição litúrgica e cultural.