Semana de quatro dias pode ajudar a resolver "problema crítico da retenção de talento no interior”. O exemplo de uma farmácia de Ferreira do Zêzere
O debate sobre a semana de trabalho de quatro dias em Portugal tem marcado a agenda política e dividido opiniões. Mas de Ferreira do Zêzere chega-nos o exemplo de um estabelecimento em que esta medida já foi implementada, com resultados positivos. Há um ano que a Farmácia Graciosa funciona com um modelo de trabalho de quatro dias, tendo registado um aumento na produtividade e na satisfação dos clientes. A medida permitiu resolver dificuldades que existiam no preenchimento de postos de trabalho.
Rui Mamede, gestor organizacional da farmácia, afirma que o estabelecimento conseguiu resolver as dificuldades de recrutamento que existiam e isso permitiu uma estabilização da equipa.
“Antes da implementação desta medida, vimos durante alguns anos a saída de diversos colaboradores, relacionada maioritariamente com a mobilidade costumeira do mercado de trabalho, tendo enfrentado, posteriormente, grandes dificuldades no preenchimento dos postos de trabalho que tinham ficado vagos – nem o recurso a agências de recrutamento externas a nós granjeou resultados satisfatórios", sublinha.
Os quatro dias de trabalho semanal não impedem o estabelecimento de abrir ao fim de semana. A farmácia, que surgiu em 2010, cumpre um horário de funcionamento das 8h30 às 20h30 em dias úteis e das 9h às 18h em todos os outros.
Questionado pelo Conta Lá, Rui Mamede explica que o estabelecimento aumentou o número de trabalhadores de cinco para sete, mas só porque "se tornou mais fácil recrutar".
"Os dois postos de trabalho adicionais teriam de ser criados de qualquer forma fruto das necessidades operacionais da farmácia e, em condições normais, teriam demorado mais tempo a ser preenchidos", acrescenta.
Por outro lado, refere que "a maior disponibilidade de técnicos devidamente credenciados ao balcão deu-nos a oportunidade de estar menos pressionados para realizar atendimentos mais rápidos, criando condições para que a disponibilidade e atenção aos clientes passassem a ser muito maiores".
António Mamede, diretor técnico, salienta a evolução na prestação ao balcão, que se tem traduzido em métricas concretas. O valor médio por venda ("ticket"), uma das métricas de produtividade mais utilizadas no setor de negócio, aumentou mais de 11%. Relativamente à faturação geral, a empresa registou um crescimento para lá do dobro da média do setor em 2025 (10,08 %).
"Investimentos em automação e otimização de processos que nos preparamos para fazer deverão contribuir adicionalmente para uma rentabilização do capital humano atualmente existente de forma mais efetiva", adianta ainda Rui Mamede.
O estabelecimento do distrito de Santarém acredita que este modelo de trabalho pode ser importante para resolver “o problema crítico da retenção de talento no interior” e que "o setor do retalho farmacêutico pode liderar a inovação organizacional em Portugal".