Serra da Estrela classificada como Reserva da Biosfera da UNESCO

A candidatura a Reserva da Biosfera da Unesco foi aprovada e a Serra da Estrela passa a integrar a rede que distingue territórios pela conservação da natureza.
 
Joana Amarante
Joana Amarante Jornalista
06 jun. 2026, 10:28

O Conselho Internacional de Coordenação do Programa Homem e Biosfera da UNESCO, aprovou no Paraguai a candidatura da Serra da Estrela, o ponto mais alto de Portugal continental, a Reserva da Biosfera. 

É uma distinção, que para o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), comprova o reforço do compromisso de Portugal com a conservação da natureza: o país passa a contar com 14 Reservas da Biosfera. 

Esta rede é uma das mais prestigiadas distinções atribuídas pela UNESCO a territórios que conciliam exemplarmente a conservação da natureza com o desenvolvimento humano sustentável. 

Em comunicado, o ICNF diz que este reconhecimento “é um compromisso ativo com os objetivos globais de conservação da biodiversidade inscritos no Quadro Global de Biodiversidade Kunming-Montreal, e uma oportunidade para afirmar a Serra da Estrela como referência nacional e internacional em práticas inovadoras de sustentabilidade e educação ambiental”. 

A partir de agora, a Reserva da Biosfera da Estrela abrange uma área total de 2.372,99 km², distribuída pelos seis municípios do Parque Natural da Serra da Estrela: Seia, Gouveia, Celorico da Beira, Guarda, Manteigas e Covilhã. 

Esta área é estruturada em três zonas complementares: uma Zona Núcleo onde se concentram os valores naturais mais relevantes (212,55 km²), uma Zona Tampão de mediação ecológica (679,65 km²) e uma Zona de Transição dedicada às atividades humanas sustentáveis (1.480,80 km², correspondendo a 62% da reserva).

O território com 1 993 metros de altitude alberga 30 habitats listados na Diretiva Habitats da União Europeia e constitui um repositório vivo de diversidade biológica e cultural.

A Serra da Estrela passa a ser um autêntico “laboratório vivo”, com ecossistemas únicos, espécies endémicas e mosaicos agro-ecológicos de montanha, onde se vão testar e criar soluções para conciliar a conservação da natureza com o desenvolvimento humano.

O objetivo é encontrar estratégias para o combate da desertificação, adaptando-se às alterações climáticas e valorizando o conhecimento ancestral das comunidades de montanha.

A aprovação foi anunciada na 38.ª sessão do Conselho Internacional de Coordenação do Programa Homem e Biosfera (MAB), que decorreu no Centro de Convenções Itaipu Roga, em Hernandarias, Paraguai.

A candidatura foi promovida pela AGE - Associação Geopark Estrela, coordenada pela Professora Helena Freitas, do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, numa iniciativa que envolveu autarquias, sociedade civil, comunidade educativa e organizações ambientais.

Na sessão no Paraguai estiveram presentes a coordenadora do projeto e o presidente da Câmara de Manteigas. 

É a segunda designação UNESCO num só território, visto que a Serra da Estrela já tinha sido reconhecida como Geopark Global UNESCO. Estes dois estatutos vão permitir otimizar recursos humanos, financeiros e materiais.