Setor da defesa português destacado em encontro europeu em Cascais

O presidente da Associação Europeia de Indústrias Aeroespaciais e de Defesa destacou a força do setor português e o seu potencial de crescimento. Empresas como a OGMA e a Critical Software são apontadas como exemplos de capacidade tecnológica nacional.
Agência Lusa
Agência Lusa
30 abr. 2026, 14:20

O presidente da Associação Europeia de Indústrias Aeroespaciais e de Defesa (ASD) considera, em entrevista à Lusa, que Portugal tem indústrias de defesa fortes e diz esperar que o conflito que envolve o Irão seja resolvido muito rapidamente.

Micael Johansson esteve em Cascais na terça-feira, a propósito da ASD Convention 2026, num encontro que reuniu os principais 'players' europeus do setor da Defesa, Segurança e Aeroespacial.

"Tem indústrias de defesa fortes", afirma o presidente da ASD - Aerospace and Defence Industries Association of Europe, quando questionado sobre o papel que Portugal pode ter no setor.

"Já estamos a colaborar com duas delas: a OGMA e a Critical Software e penso que podemos fazer mais, especialmente se houver mais colaborações entre a Suécia e Portugal nesta área", prossegue o responsável.

O responsável sublinha ainda que Portugal tem "uma associação forte e muitas exportações", pelo que o país tem capacidade de assumir um papel no setor.

"Claro, têm coisas a acrescentar e também tecnologia, e foi por isso que escolhemos a Critical Software, porque tem uma excelente tecnologia para apoiar o treino de pilotos", argumenta Micael Johansson.

Portanto, "se avançarmos para uma colaboração mais profunda em caças, potencialmente no futuro, quando o processo começar no país, isso significaria muito" sobre o nível de envolvimento com a indústria portuguesa.

Questionado sobre o impacto do fecho do estreito de Ormuz e do conflito com o Irão, Micael Johansson, que também é presidente executivo (CEO) da Saab, salienta que as companhias aéreas têm sofrido com isso, nomeadamente a abertura e fecho de rotas e a alta do preço dos combustíveis.

"Depois há a questão de alguns materiais de que precisamos da região [do Médio Oriente] que também nos estão a afetar a longo prazo", bem como também o transporte de coisas que "normalmente passam pelo estreito" de Ormuz, aponta.

"É preciso garantir que mantemos as linhas abertas em torno de tudo isto", toda esta situação "cria interrupções", o que "não é bom para a logística", lamenta.

Portanto, "tem efeitos negativos" para o setor da aviação, mas "espero que isto seja resolvido muito rapidamente", remata.