Sistema de ensino português em "transição lenta", fica ainda aquém da evolução do mercado
“O mercado está numa mudança acelerada e o sistema de ensino está numa transição lenta”, disse o presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP). Para o presidente da AEP, o sistema de ensino e educação não pode continuar com uma transmissão do conhecimento e uma avaliação da capacidade do aluno absorver esse conhecimento transmitido.
Luís Miguel Ribeiro destaca que o mais importante para os jovens singrarem no mercado de trabalho mundial é conseguirem desenvolver “sentido crítico de análise e capacidade de olhar para os dados” e não serem o transporte dos dados, até porque, com a Inteligência Artificial, é fácil aceder aos dados de uma forma célere.
O desenvolvimento das ‘soft skills’, ou seja, das competências sociais e interpessoais, são critérios essências para os jovens conseguirem lidar com a pressão ou o imprevisto numa empresa confrontada com uma guerra ou uma pandemia, explica.
Questionado sobre se existe um desfasamento entre formação académica e competências exigidas pelo mercado de trabalho, o presidente da AEP afirmou que há e que essa “realidade é objetivamente demonstrada pelos números do desemprego jovem”.
Segundo Luís Miguel Ribeiro, o desemprego jovem resulta da falta dos dirigentes de ensino em ouvir os representantes das empresas sobre as sugestões de áreas e de formas de qualificar os mais jovens.
“Precisamos de criar uma grande e uma maior aproximação entre as instituições de ensino, de qualificação, de formação profissional, e as empresas, ou seja, o mercado de trabalho” e, para isso, é necessário perceber o que é que as empresas precisam, defendeu o presidente da AEP, associação criada há 176 anos.
Luís Miguel Ribeiro insiste que os desafios de hoje no mercado passam muito pela “preparação e pela sensibilização” dos jovens para lidarem com “situações de maior imprevisibilidade, para estimularem a criatividade, para os prepararem para desafios, como o período da pandemia.
“Não são aqueles que têm mais qualificações que estão mais bem preparados muitas vezes para dar esta resposta, mas aqueles que têm este desenvolvimento das chamadas ‘soft skills’, estas capacidade de lidar com stress, pressão, imprevisto, com a adaptação que é necessária”, assinalou.