Soure inicia reposição da eletricidade em baixa tensão após forte destruição causada pela tempestade Kristin

O município de Soure começou hoje a repor a eletricidade em baixa tensão com a chegada das primeiras equipas da E-Redes, num concelho fortemente afetado e ainda dependente de geradores. Persistem grandes danos em habitações, falta de telhas e lonas, e a recuperação dos serviços mantém-se frágil, apesar de a maioria da rede de água já estar restabelecida.
Agência Lusa
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02 fev. 2026, 14:11

O presidente da Câmara de Soure disse que chegaram esta segunda-feira as primeiras equipas para repor a energia em baixa, mas há muito a fazer num município em que faltam telhas e lonas.

“A grande novidade hoje é a chegada das primeiras equipas, quatro, da E-Redes para trabalhar estritamente na baixa, ou seja, a que leva a eletricidade a casa das pessoas, depois de andarem a resolver a alta e média tensão”, adiantou Rui Fernandes.

O presidente da Câmara de Soure, no distrito de Coimbra, falava à agência Lusa no final de uma reunião com a E-Redes, em que reconhecia “o grande esforço” da empresa para “chegar quanto antes e também é preciso entender isso”.

“O concelho está, praticamente, a ser alimentado por geradores, e é preciso entender que, basta haver danos em alguns pequenos fios, para que as pessoas que até começaram a ter energia, de repente deixem de a ter. É necessária alguma paciência e compreensão. Estamos a trabalhar para repor tudo o quanto antes, mas o nível de destruição é tão grande que não é fácil estar em todo o lado”, apelou.

“As telecomunicações, que são as mais urgentes, já estão com mais estabilidade, porque a Câmara está a alimentar 10 torres de comunicações através de geradores”, mas “ainda vai faltar muito para haver comunicações em casa das pessoas, tendo em conta os danos nos cabos”, sublinhou.

“Ainda não é possível contabilizar os danos, porque são muitos, e só hoje é que as equipas estão a começar de fazer o levantamento, mas todo o concelho foi afetado” pela tempestade Kristin, referiu Rui Fernandes.

Das infraestruturas públicas, “só as piscinas municipais da vila de Soure é que não tiveram danos, tudo o resto, com mais ou menos gravidade, foi danificado”.

“Cerca de 60 pessoas foram realojadas, a maior parte em casa de famílias e amigos”. A Câmara realojou 10 e não tem “capacidade para mais”, notou.

“As empresas e o setor primário” foram fortemente afetadas. “muito mesmo”, realçou.

As escolas foram reabertas esta segunda-feira “e foi aí que deu para perceber os danos, portanto, há aulas, mas com alguns condicionamentos, mas já foi possível o regresso à escola” em todo o concelho.

Rui Fernandes realçou ainda que “há casos de pessoas ainda sem água, porque o abastecimento não depende só do Município de Soure e outros concelhos também foram afetados”. De todo o modo, “95% da rede de água já está reposta”.

“Tudo isto, entenda-se, pode ser volátil, porque os níveis de reparação são tão precários, para que fossem feitos de imediato” e “qualquer rajada de vento forte ou chuvas mais intensas podem colocar tudo na estaca zero”, alertou. Começámos por remediar até ser possível reparar e até lá apela-se à paciência e compreensão”.

O autarca sublinhou a “necessidade de telhas e lonas, porque o Município já não tem nada em reserva no estaleiro” e a questão das telhas “é um puzzle difícil, porque há imensos tipos e diferentes telhados, mas havendo lonas vai dando para remediar e evitar danos maiores nas habitações”.

Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.