Subida dos combustíveis preocupa indústria do granito em Vila Real
Os industriais do granito do distrito de Vila Real estão preocupados com o impacto do aumento dos combustíveis neste setor, no qual os custos energéticos representam 40% da fatura, e reclamam acesso ao gasóleo profissional e benefícios fiscais.
“Sim, estamos muito preocupados. Os custos energéticos representam 40% do custo total que nós temos na nossa indústria”, afirmou esta sexta-feira Mauro Gonçalves, presidente da Associação dos Industriais do Granito, que tem sede em Vila Pouca de Aguiar.
Esta semana o gasóleo subiu 19 cêntimos e, para a próxima semana, está previsto mais um aumento que pode chegar aos 10 cêntimos neste combustível.
Para além do custo direto com o preço do combustível usado nos veículos e maquinaria, o responsável disse ainda que já foram avisados por fornecedores de que o preço de matérias-primas como, por exemplo, o aço ou explosivos, também vai aumentar.
“Estamos preocupados porque estamos a deixar de ser competitivos, vamos ter que absorver esses impactos nos primeiros tempos, já que aumentar preços [granito] para já não é uma realidade”, afirmou ainda Mauro Gonçalves.
O também proprietário de uma pedreira na zona da Falperra, em Vila Pouca de Aguiar, exemplificou com uma pá carregadora, usada para carregar os blocos do granito, que consome cerca de 25 litros de gasóleo por cada hora de trabalho.
“Ao final do dia teremos um impacto com a subida do combustível em mais de 50 a 60 euros só neste equipamento. Mas imaginemos que nós temos oito equipamentos destes, no final do mês teremos um impacto de quatro a cinco mil euros”, salientou.
Os gastos com o combustível poderão, segundo salientou, ascender aos 24 mil euros por mês.
“E a máquina é a mesma, o serviço é o mesmo e, do produto que nós vendemos, o preço vai-se manter porque neste momento não há hipótese de subir os preços, isto não é um bem de primeira necessidade e as empresas e os investidores irão travar e não irão prosseguir a construção e novos projetos”, acrescentou.
Os empresários do setor reclamam há vários anos a possibilidade de acederem ao gasóleo profissional, também conhecido como agrícola, que fica cerca de 40 cêntimos mais barato, mas pedem também benefícios fiscais para as empresas.
“Nós sabemos que num litro de combustível, 50% do custo é imposto. Eu acho que o Estado, através de benefícios fiscais para as empresas, poderia ter aqui um impacto positivo na redução do imposto”, referiu.
Mauro Gonçalves disse que Portugal é o terceiro maior exportador de pedra natural da União Europeia, estando atrás de Espanha e Itália, países onde os custos energéticos são 30% inferiores, quer em combustível, que é profissional, quer na eletricidade.
Também Pedro Magalhães, representante de uma outra empresa de extração de granito da região, classificou a situação como “insustentável”, salientando que o resultado é um grande incremento do custo de extração, já que o gasóleo é o combustível mais usado.
“E o mercado não nos permite subir preços para compensar todos estes custos de aumento de produção. Estamos a falar de gastos muito grandes na extração, máquinas que gastam 25 litros à hora”, sublinhou.
Até porque, acrescentou, há obras já em curso e “não é possível mudar as regras do jogo a meio”.
“Eu acho que o Governo tem de ser Governo, tem de ajudar a economia, tem de nos ajudar, não pedimos nada, só pedimos é que consigamos lutar com as mesmas armas que os outros”, afirmou, referindo-se também ao gasóleo profissional.
O presidente da AIGRA disse ainda temer o impacto na socioeconomia da região. “Principalmente em áreas tão desfavorecidas como a nossa, que dependem muito desta indústria, irá ter um impacto significativo”, frisou.
No distrito de Vila Real há 35 pedreiras ativas, com cerca de 500 postos de trabalho diretos, e que exportam cerca de 50% do granito extraído.
Os preços dos combustíveis em Portugal vão continuar a subir na próxima semana, com o gasóleo simples a aumentar cerca de 10 cêntimos por litro e a gasolina 95 a subir 10,3 cêntimos, segundo a ANAREC.
Este aumento acontece num contexto de forte tensão geopolítica no Médio Oriente, com os preços do petróleo pressionados pelo encerramento do estreito de Ormuz e pela volatilidade dos mercados internacionais.
A guerra foi desencadeada pela ofensiva de grande escala lançada contra o Irão pelos Estados Unidos e por Israel em 28 de fevereiro.
O Irão respondeu com ataques contra os países vizinhos e contra petroleiros no estreito de Ormuz.