Telhas que salvam vidas: a solidariedade que reconstrói casas depois da depressão Kristin
Desde quarta-feira que milhares de famílias acordaram sem teto depois da passagem da depressão Kristin em várias regiões do país. Os ventos que chegaram aos 160 km/h varreram telhados e colocaram famílias e voluntários à procura de telhas, um material que tem vindo a ser cada vez mais procurado desde a tempestade.
Cada telha que falta tornou-se uma corrida contra o tempo, uma tentativa desesperada de proteger lares, bens e, acima de tudo, a segurança de quem perdeu quase tudo da noite para o dia. Nas zonas mais afetadas como em Leiria, a corrida dos habitantes por este material tem sido constante, na tentativa de reparar os telhados ainda a tempo das chuvas intensas que se avizinham.
Perante a urgência da situação, os municípios ativaram pontos de recolha e distribuição de telhas e lonas de plástico, de forma a angariar material para os habitantes afetados. Locais como o Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, e os estaleiros e pavilhões municipais de outras localidades, como Marinha Grande, Alvaiázere e Pedrógão Grande, transformaram-se em centros de solidariedade, onde a comunidade mobiliza-se para responder às necessidades mais imediatas.
Mas é nas redes sociais que a solidariedade se tornou visível de forma mais impressionante. No Facebook, de forma pessoal ou em grupos que foram criados para facilitar a comunicação, como o “Banco de Telhas”, somam-se os pedidos de ajuda e ofertas de telhas sobrantes de obras ou construções, que chegam de várias localidades, mas sobretudo de Leiria, onde o pedido de telhas, por esta via, chegam às centenas por dia.
Rapidamente, estranhos tornam-se aliados, vizinhos tornam-se parceiros, e cada telha dada representa mais do que um material de construção, é uma ajuda para centenas de famílias que reconstrução das vidas abaladas há quase uma semana.
Pequenas empresas da região também se juntaram à corrente de apoio, oferecendo alimentos, transporte e até mão de obra voluntária. Em muitas situações, bastam apenas algumas telhas e lonas para garantir uma cobertura provisória, permitindo que famílias voltem a ocupar as suas casas.
A região tem vindo a encontrar soluções criativas para enfrentar as adversidades da depressão Kristin, tentando recuperar as zonas afetadas das cidades. A procura por telhas deixou de ser apenas uma necessidade material: tornou-se um símbolo de união, de resistência e da força de uma comunidade, mesmo quando o vento levou quase tudo.
Se precisa ou quer doar telhas, lonas e outros materiais de construção, pode dirigir-se ao seguintes pontos:
Leiria - Estádio Dr. Magalhães Pessoa: distribuição de telhas, lonas e outros materiais.
Marinha Grande
- Estaleiro Municipal: lonas e materiais de construção.
Alvaiázere
- Pavilhão Desportivo: ponto de receção de donativos.
Pedrógão Grande
- Armazém Municipal: materiais disponíveis para recolha ou doação.