Companhia das Lezírias recebe certificação ambiental que destaca saldo positivo de carbono
A Companhia das Lezírias, a maior exploração agropecuária e florestal de Portugal, localizada em Samora Correia, no Ribatejo, voltou a destacar-se no setor ao conquistar a certificação Pecuária Baixo Carbono, uma certificação ambiental que reconhece o balanço positivo da sua atividade.
O diretor de sustentabilidade da empresa, João Fonseca, explicou, ao Conta Lá, que esta distinção representa sobretudo o reconhecimento de práticas de gestão que já fazem parte do modelo de exploração da Companhia há vários anos, desde logo pelo modelo de exploração pecuária extensiva. “A certificação foi atribuída porque a retenção de carbono é superior às emissões de gases com efeito de estufa da atividade”, destacou.
O sistema procura assim equilibrar a produção agropecuária, a preservação ambiental e a sustentabilidade económica. O resultado está diretamente ligado ao modelo de exploração silvopastoril adotado pela empresa, um sistema de produção que combina atividade pecuária com áreas florestais e pastos naturais, o que cria um equilíbrio entre a produção e a preservação do ecossistema.
Neste modelo, o gado pasta sob o montado, ajudando a controlar a vegetação e a reduzir o risco de incêndios. Além disso o sistema implementado permite ainda que as pastagens e as árvores da Companhia contribuam para capturar o dióxido de carbono da atmosfera. Segundo o diretor de agropecuária, António Farrim, a relação entre floresta e pecuária é fundamental para manter o equilíbrio do território. Acrescentando que “a certificação é o reconhecimento da atividade da Companhia no equilíbrio do ecossistema e do ambiente natural”.
Um modelo equilibrado
Atualmente, a empresa conta com cerca de 7 500 hectares de área pastoreada e aproximadamente 2 417 cabeças normais de gado, que inclui bovinos, equídeos e ovinos/caprinos. Neste contexto, as pastagens têm uma capacidade significativa de captura de carbono.
João Fonseca, esclarece que “a Companhia não teve de alterar drasticamente as práticas agropecuárias porque já adotava modelos que visam o equilíbrio do ecossistema: o modelo de exploração silvopastoril e a exploração pecuária extensiva.
Uma visão também partilhada pelo diretor de agropecuária da Companhia das Lezírias, que defende que o equilíbrio depende sobretudo da gestão adequada do número de animais em relação à área disponível. “Os animais na quantidade certa são benéficos para o ecossistema. Nem animais a mais, nem vegetação em excesso”, afirmou.
A gestão permite evitar tanto a sobre-exploração das pastagens como o crescimento excessivo da vegetação. Alem disso, outro elemento central na logística implementada é o modo de produção biológica, implementado há mais de duas décadas na Companhia, impondo regras rigorosas, nomeadamente na utilização de antibióticos e na alimentação dos animais. Além disso, toda a área da empresa está certificada neste modo de produção, o que implica a ausência de fertilizantes químicos e outras práticas intensivas.
Os objetivos futuros da Companhia das Lezírias passa agora por continuar a desenvolver o modelo de gestão implementado, mantendo o equilíbrio entre produção agropecuária, preservação do ecossistema e viabilidade económica. No entanto, os representantes defendem que “não é possível ter racionalidade ambiental sem racionalidade económica da exploração”, sublinhando que as áreas devem caminhar lado a lado, em equilíbrio, tal como o ecossistema da empresa.
A certificação obtida confirma que é possível conciliar produção, sustentabilidade e gestão responsável do território, demonstrando que a atividade agropecuária pode desempenhar um papel positivo no equilíbrio ambiental.