Quatro concelhos estudam criação de nova sub-região dos Vinhos Verdes

No primeiro fim de semana de junho, Valença acolheu a terceira edição dos Vinhos do Atlântico – Festa da Ribeira Minho. O evento, marcado pelo debate “Diálogos de Fronteira”, veio consolidar o município como motor de uma nova sub-região de vinhos Verdes. 
 
Joana Amarante
Joana Amarante Jornalista
23 jun. 2026, 08:00

A terceira edição dos Vinhos do Atlântico – Festa da Ribeira Minho, realizada em Valença nos dias 5 e 6 de junho, voltou a colocar o concelho no centro da promoção vitivinícola do Alto Minho e reforçou a ambição de criar uma nova sub-região na Região Demarcada dos Vinhos Verdes.

A iniciativa, iniciada em 2024, tem procurado promover e valorizar as características únicas dos vinhos produzidos no norte do país e este ano sublinhou-se sobretudo a criação de uma nova sub-região. 

O Município de Valença lidera o projeto que envolve também os concelhos de Caminha, Paredes de Coura e Vila Nova de Cerveira. Estes municípios aprovaram em conjunto a realização de um estudo técnico que servirá de base à candidatura.

Segundo uma nota enviada às redações, a investigação vai permitir “caracterizar a produção existente” e identificar os “fatores diferenciadores” dos vinhos produzidos neste território.

Em destaque na edição deste ano esteve o fórum “Diálogos de Fronteira”, que reuniu produtores, enólogos, investigadores e especialistas portugueses e galegos para debater a identidade e o potencial dos vinhos de influência atlântica do Noroeste Ibérico. 

Durante a iniciativa, foi sublinhado o património vitivinícola comum entre a Galiza e a Região dos Vinhos Verdes, bem como as características que distinguem estes vinhos: a frescura, a acidez natural, a mineralidade e a sua aptidão gastronómica.

Segundo a organização do evento, um dos aspetos mais debatidos foi a necessidade de definir com rigor os critérios que poderão sustentar o conceito de “Vinhos do Atlântico do Noroeste”.

Um dos intervenientes, Luís Cerdeira, da Soalheiro/Vinevinu, defendeu que a influência atlântica é variável, condicionada pela orografia, altitude e exposição às massas de ar marítimas. Nesse sentido, explicou que os vinhos produzidos em áreas expostas a massas de ar marítimas têm características diferentes dos que se desenvolvem em zonas protegidas por barreiras montanhosas, afirmando que “os vinhos de Valença são vinhos claramente atlânticos”.

Já João Pereira, da Quinta das Pereirinhas, deu como exemplo vinhos produzidos em Monção, para “reforçar a ideia de que a influência atlântica varia significativamente dentro das próprias sub-regiões”. Uma posição partilhada por Emilio Iglesias, responsável por projetos vínicos nas denominações galegas de O Ribeiro e Rías Baixas, que acrescentou que “ambas as regiões evidenciam uma clara matriz atlântica, apesar das diferenças existentes entre elas”.

No momento de conversa, foi consensual a opinião de que a identidade destes vinhos resulta não só das “condições naturais” da região, mas também da “cultura vitivinícola construída” ao longo de gerações pelas comunidades do Minho e da Galiza, nomeadamente a transmissão do saber e técnicas de condução da vinha, gestão vitícola e enológica e o património genético de castas autóctones.

Há ainda a destacar no evento a intervenção de Bruno Almeida, da Barcos Wines, que apontou o Noroeste Ibérico como parte integrante do “Corredor Atlântico Premium”, conceito que reúne algumas das mais prestigiadas regiões vitivinícolas de influência oceânica a nível mundial. O especialista defendeu o elevado potencial de valorização nos mercados internacionais que estes vinhos apresentam.

Para o Município de Valença, os resultados alcançados neste evento confirmam a importância estratégica da iniciativa para o desenvolvimento económico, turístico e cultural do território. A criação da nova sub-região dos Vinhos Verdes é vista como um “passo decisivo” para “reforçar o reconhecimento dos vinhos produzidos” no Alto Minho e afirmar a região como “uma referência europeia nos vinhos de clima fresco e influência atlântica”.