Quercus contra projeto de citrinos em Alcácer do Sal: "Litoral alentejano continua a ser um autêntico faroeste"

O projeto, que consiste na implementação de uma exploração agroflorestal nas Herdades da Murta e Monte Novo, assente na produção de tangerinas, está em consulta pública até esta sexta-feira.
Sofia Santana
Sofia Santana Editora Digital
18 jun. 2026, 15:22

A Quercus pede o chumbo do projeto do grupo Aquaterra que prevê 295 hectares para a plantação intensiva de citrinos, no concelho de Alcácer do Sal, considerando que o litoral alentejano “continua a ser um autêntico ‘faroeste’ da agricultura intensiva de regadio”. O projeto, que consiste na implementação de uma exploração agroflorestal nas Herdades da Murta e Monte Novo, assente na produção de tangerinas, está em consulta pública até esta sexta-feira.

“Subscrevemos inteiramente o posicionamento já divulgado pela Associação Dunas Livres, exigindo também a emissão de uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) desfavorável a este projeto do promotor Aquaterra, mais um empreendimento insustentável numa região já severamente afetada pelo stress hídrico”, lê-se num comunicado divulgado pela Quercus esta quinta-feira.

A organização ambientalista refere que o grupo Aquaterra já explora “mais de 6 mil hectares nesta região através do regadio intensivo” e lamenta que autoridades locais e nacionais não tomem “medidas drásticas para travar novos projetos agrícolas e o esgotamento dos recursos hídricos já no limite”.

O projeto agora apresentado foi alvo de uma reformulação. No portal Participa, lê-se que foram "introduzidas alterações significativas com vista à redução dos impactes ambientais": "A reformulação incluiu, nomeadamente, a redução da área agrícola de 360,63 ha para 295,18 ha, a diminuição das necessidades hídricas e do volume anual de captação de água subterrânea, a eliminação de quatro furos e de dois reservatórios inicialmente previstos, o reforço dos corredores ecológicos e das áreas de valorização e recuperação ecológica, bem como a adoção de medidas adicionais de monitorização e gestão ambiental".

Mas a Quercus considera que esta reformulação agora apresentada é "uma operação de cosmética para transparecer falsos ganhos ecológicos, quando no seu essencial permanece insustentável e alicerçada em medidas de compensação vagas e não vinculativas".

“Em outubro de 2025, dados do projeto Copernicus da União Europeia davam conta do abatimento dos solos em Alcácer do Sal, derivado do facto das intensas captações de água ultrapassarem a reposição natural do aquífero. Ora, mesmo com a reformulação deste projeto agora em consulta pública, em causa está a extração massiva de 1.740.000 m3 de água subterrânea por ano, através de 12 furos de enorme profundidade”, acrescentam os ambientalistas.

Por isso, além da emissão de uma Declaração de Impacte Ambiental desfavorável, os ambientalistas exigem "um parecer do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) sobre o sistema aquífero de Alcácer do Sal" e uma posição da Agência Portuguesa do Ambiente "sobre o pedido, feito há vários meses pela Quercus, para retomar o Conselho Nacional da Água, que já não reúne há 3 anos".