Zero pede restauro das pastagens no centro do combate à desertificação
A associação ambientalista Zero defende que o restauro das pastagens tem de estar no centro das políticas de combate à desertificação, referindo que, em Portugal Continental, estas áreas representam mais de metade da superfície agrícola utilizada e pelo menos cerca de 1/5 da área total. A posição é assinalada num comunicado, divulgado a propósito do Dia Mundial do Combate à Seca e à Desertificação, 17 de junho.
“Em Portugal, as áreas de pastagens e as superfícies agroflorestais coincidem, em larga medida, com a superfície suscetível à desertificação, o que significa que o combate à desertificação é indissociável da preservação e do restauro destes ecossistemas”, lê-se no comunicado.
A Zero reitera, por isso, a necessidade de restaurar as pastagens através de medidas como o “investimento na gestão sustentável do solo e da água” e o “aumento da preparação para períodos de seca”, reconhecendo os seus contributos para as economias e para a preservação da biodiversidade. Nessa linha, sublinha que é necessário “respeitar os pastores e as comunidades locais, cujos sistemas de gestão comum das terras e conhecimento ecológico são essenciais para a manutenção da saúde e produtividade destas paisagens”.
A Zero alerta para o que considera ser um fenómeno alarmante: "a conversão de pastagens permanentes para usos agrícolas desadequados ao estado dos solos ou até mesmo para zonas artificializadas, como infraestruturas de produção de energia solar, que tiveram um ganho de três mil hectares entre 2018 e 2023, e continuam em crescimento”.
Os ambientalistas afirmam ainda que “a criação de gado pode ser um motor de degradação das terras, através do sobrepastoreio, resultado de um número de animais excessivo face à capacidade da pastagem”.
A Zero considera que as políticas relacionadas com as pastagens continuam “secundarizadas e desarticuladas” e que o atual processo de revisão do Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação (PANCD) representa uma oportunidade para reforçar a articulação entre políticas climáticas, agrícolas e de ordenamento do território.