Agricultor de Torre de Moncorvo com 120 mil euros de prejuízos na foz do Sabor

Em Torre de Moncorvo um agricultor registou prejuízos de 120 mil euros devido à subida do rio Sabor, denunciando falta de apoio das autoridades e impacto recorrente das cheias na sua exploração.

Agência Lusa
Agência Lusa
07 fev. 2026, 14:15

Um produtor agrícola do concelho de Torre de Moncorvo, no distrito de Bragança, contabilizou hoje prejuízos de 120 mil euros na sua exploração, junto à foz do Sabor, onde o leito do rio subiu cerca de quatro metros.

Em declarações à agência Lusa, Mário Martins disse que tem prejuízos de cerca de 120 mil euros na área de laranjal, sistemas de rega e equipamento de apoio à produção agrícola, tornando-se numa soma avultada.

“Sou proprietário de 12 hectares de terreno de cultivo junto à foz do rio Sabor e choveu cinco vezes mais que em anos anteriores, o que se tornou num ano muito complicado para toda a gente”, vincou.

Mário Martins já contabilizou mais de 600 mil euros de prejuízos só nesta exploração agrícola desde 2013, garantindo que nunca ninguém olhou para os seus prejuízos e que não tem tido apoios.

“As laranjeiras não vão aguentar tanta água e, estando submersas, temo que num período de 10 dias as raízes fiquem contaminadas ou apodreçam, o que leva à perda das árvores de fruto e, consequentemente, do rendimento. Outra das precauções é todo o sistema de rega e sistemas de apoio que ficam estragados ou gravemente danificados”, relatou.

O produtor mostrou-se revoltado e aponta o dedo às entidades públicas que não se mostram disponíveis em resolver os problemas dos agricultores.

“Estou revoltado e de mãos atadas porque as pessoas não veem os prejuízos que os agricultores têm, sendo o mais grave, quando fazemos um ponto de situação. Há aqui falta de responsabilidade das entidades públicas para este setor e dos nossos governantes. Em Portugal não há responsabilidade. Só espero ser contado e que os problemas não se resolvam só nos gabinetes”, frisou.

O agricultor tem outras propriedades onde colhe produtos essencialmente hortícolas, junto à ribeira de Vilariça, também no concelho de Torre de Moncorvo, onde a água galgou as margens devido à falta de limpeza por partes entidades competentes e destruiu a produção.

“Este é nosso sustento de vida. Estamos fartos de gastar dinheiro e sem ver os problemas resolvidos”, enfatizou.

Mário Martins recua ao ano de 2005, onde o cenário de destruição foi idêntico.

Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.