Mau tempo: 290 mil clientes ainda sem eletricidade e ligações ferroviárias suspensas

O Governo decretou situação de calamidade entre quarta-feira e 1 de fevereiro para cerca de 60 municípios, medida que permite ativar automaticamente planos de emergência e mobilizar meios excecionais. Leiria, por onde a depressão entrou em Portugal, juntamente com Coimbra e Santarém, regista os maiores danos, com quedas de árvores, estruturas, inundações e cortes de estradas.
Agência Lusa
Agência Lusa
30 jan. 2026, 08:22

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental deixou um rasto de destruição em vários pontos do país, provocando pelo menos cinco mortos, segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), número ao qual a Câmara Municipal da Marinha Grande acrescenta uma outra vítima mortal no concelho.

O temporal causou ainda vários feridos, desalojados e elevados prejuízos materiais, levando o Governo a decretar situação de calamidade em cerca de 60 municípios, entre a meia-noite de quarta-feira e as 23h59 de 1 de fevereiro, número que poderá vir a aumentar.

Ao nível da energia, mais de 290 mil clientes da E-Redes continuavam sem eletricidade às 6h30 desta sexta-feira, sobretudo no distrito de Leiria, onde cerca de 221 mil clientes permaneciam afetados. A empresa ativou o estado de emergência na região, instalando 30 geradores e estando a mobilizar mais cerca de 200, numa operação considerada de grande complexidade devido à extensão dos danos na rede elétrica.

Os distritos de Leiria, Coimbra e Santarém foram os mais afetados, sendo Leiria a zona onde a depressão entrou no território nacional e onde se registam os maiores danos.

Esta sexta-feira, a circulação ferroviária também continua fortemente condicionada. Vários troços das Linhas do Norte, Douro, Beira Baixa, Oeste, bem como os Urbanos de Coimbra e o Serviço Regional entre Coimbra B e Entroncamento, permanecem suspensos.

Segundo a CP, estão interrompidas as ligações na Linha do Douro entre Régua e Pocinho, na Beira Baixa entre Ródão e Castelo Novo e na Linha do Oeste. A Linha do Norte encontra-se suspensa entre Porto e Lisboa para os comboios de longo curso. Foi apenas retomada a circulação regional no troço Covilhã–Guarda, na Linha da Beira Baixa.

 

Ocorrências baixaram na madrugada desta sexta-feira

Apesar dos elevados impactos, a ANEPC indicou que não foram registadas ocorrências significativas durante a madrugada desta sexta-feira, mantendo-se, no entanto, meios no terreno, sobretudo nas zonas mais afetadas. Só esta quinta-feira foram contabilizadas 2.050 ocorrências, com Coimbra a liderar (375), seguida do Oeste (221) e de Leiria (201).

As principais situações estavam relacionadas com quedas de árvores, inundações e quedas de estruturas. Num balanço mais alargado, entre terça e quinta-feira, foram registadas 8.160 ocorrências em todo o território continental.

Em Coimbra, as autoridades acompanham com atenção a situação do rio Mondego, cujos caudais estão a ser monitorizados e controlados, apesar dos alertas de cheias a jusante da cidade. A barragem da Aguieira está a realizar descargas controladas, e os sistemas de escoamento para os campos agrícolas encontram-se operacionais.

O caudal na ponte-açude de Coimbra atingiu 1.757 metros cúbicos por segundo, correspondente ao nível de alerta laranja, embora não tenha sido ativado o plano especial de cheias, uma vez que já se encontram em vigor os planos municipal, distrital e a situação de calamidade. As autoridades admitem a eventual inundação de zonas agrícolas, mas garantem que a situação está, para já, sob controlo.

 

Porto, Viana do Castelo e Braga com aviso vermelho

Do ponto de vista meteorológico, o IPMA mantém vários avisos ativos, com destaque para a agitação marítima, que coloca toda a costa ocidental sob aviso laranja, passando a vermelho nos distritos de Porto, Viana do Castelo e Braga, devido a ondas que podem atingir 14 a 15 metros de altura máxima. Há ainda avisos por chuva, neve acima dos 1.000 metros nos distritos da Guarda e Castelo Branco, e manutenção de condições meteorológicas adversas ao longo do dia.

As autoridades apelam à população para que siga as recomendações da Proteção Civil, evite deslocações desnecessárias e se mantenha atenta à evolução da situação, numa altura em que o país continua a lidar com os efeitos de uma das tempestades mais severas dos últimos anos.