Aranha semelhante à que inspirou o "Homem-Aranha" é descoberta no Alentejo

São seis as novas espécies de aranhas descobertas, que até então eram desconhecidas no mundo científico. Identificadas na zona de Grândola, no Alentejo, uma delas pertence ao mesmo grupo do aracnídeo que inspirou a história do super-herói.
 
Agência Lusa
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16 abr. 2026, 14:45

A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que descobriu as aranhas e está a levar a cabo o estudo laboratorial das espécies, refere que embora os aracnídeos descobertos na zona de Grândola -  “até hoje desconhecidos para o mundo científico” - ainda não tenham sido batizadas, “os especialistas já conseguem indicar os géneros em que se incluem estas espécies”.

Uma das encontradas na Herdade da Ribeira Abaixo é do género 'Scytodes' e tem “o traço distintivo de cuspir teia com veneno para aprisionar as presas”, sendo do grupo da “aranha que serviu de inspiração para a história do Homem-Aranha”, o super-herói da Marvel Comics criado por Stan Lee e Steve Ditko em 1962.

Das restantes, “duas das espécies pertencem ao género 'Dysdera' (que inclui as aranhas-de-tenaz que se alimentam de bichos-de-conta); outras duas pertencem ao género 'Harpactea' (mais pequenas, escuras e elegantes que as do género Dysdera)” e “há uma espécie classificada dentro do género 'Pelecopsis' (são típicas caçadoras furtivas)”, adianta o comunicado.

As aranhas foram descobertas por uma equipa de especialistas liderada por Pedro Cardoso, investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (CE3C), que entre 2024 e 2025 realizou trabalho de campo na estação da referida herdade, ligada à faculdade.

A estação possui “uma enorme riqueza de fauna e flora” e “os locais de amostragem estão equipados com sensores para medição de temperatura e humidade do solo e ainda armadilhas que permitem a captura de animais de diferentes espécies para estudo científico”.

Agora, em laboratório, Pedro Cardoso trabalha com Miguel Sousa, investigador do CE3C e aluno de Mestrado em Biologia da Conservação na faculdade de Ciências, no processo de descrição científica das espécies descobertas.

“Vai exigir tempo para medições pormenorizadas, desenhos científicos e comparações com outras espécies ou artigos da especialidade”, explica Pedro Cardoso, citado no comunicado, que assinala tratar-se de “um trabalho minucioso e ao microscópio”.

Os investigadores já registaram algumas diferenças entre as aranhas agora descobertas - com tamanhos que oscilam entre dois ou três milímetros e um máximo de 10 a 15 milímetros - relacionadas com “a disposição dos olhos, as fieiras (orgãos que produzem teias) ou as características das pernas”.

“Quando comecei a analisar cada uma das seis espécies de aranhas não conseguia encontrar nada parecido na literatura taxonómica. Com o tempo fui falando com outros investigadores e percebi que estava perante espécies novas”, revela Miguel Sousa, citado no comunicado.

Segundo os cientistas, a Serra de Grândola "poderá ter funcionado, ao longo do tempo, como uma ilha isolada que levou determinadas espécies a evoluírem de forma diferente de outras com origem comum”, tornando o local “particularmente único para a investigação científica”.