Associação preocupada com riscos de central fotovoltaica no Marão

O aumento de riscos de erosão, alteração hidrológica e perda de habitats são algumas das preocupações da Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade face ao projeto fotovoltaico na Serra do Marão.
 
Agência Lusa
Agência Lusa
20 abr. 2026, 12:05

A Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade (FAPAS) está contra o projeto fotovoltaico na Serra do Marão, que prevê a instalação de 25 mil painéis, alertando para "riscos significativos" ao nível ambiental, ecológico, paisagístico e social.

“O projeto de hibridização fotovoltaica do Parque Eólico de Penedo Ruivo levanta impactos e riscos significativos ao nível ambiental, ecológico, paisagístico e social, que não são devidamente ponderados quando se olha apenas para o aumento de produção de energia ‘limpa’”, afirmou a FAPAS, em comunicado remetido esta segunda-feira à agência Lusa.

O projeto de hibridização fotovoltaica do Parque Eólico de Penedo Ruivo, proposto pela empresa EnergieKontor, prevê uma produção anual líquida de 24,86 gigawatt-hora e visa produzir energia elétrica através de sistema fotovoltaico em hibridização com o parque eólico existente.

Segundo o Estudo de Impacte Ambiental (EIA), a área de implementação é de 21 hectares, dos quais cerca de sete serão ocupados com painéis solares, naquele território que abrange os concelhos de Baião e de Amarante, no distrito do Porto.

A consulta pública do projeto decorre até sexta-feira e, até às 11:50 desta segunda-feira, deram entrada 409 participações no portal Participa.

A FAPAS considerou que o projeto “intensifica a artificialização e fragmentação de uma serra de elevado valor ecológico e paisagístico, ocupando 21 hectares e abrindo novos acessos em zona de cumeada”.

Apontou ainda ao aumento de riscos de erosão, alteração hidrológica e perda de habitats, afetando a resiliência ecológica local em contexto de alterações climáticas e realçou que “desqualifica a paisagem do Marão enquanto espaço de montanha, lazer e identidade, comprometendo alternativas de desenvolvimento baseadas no turismo de natureza e na valorização do território”.

Por fim, referiu que o projeto “assenta num argumento climático e energético que não pondera devidamente alternativas de localização menos sensíveis, nem os efeitos cumulativos com o parque eólico existente”.

A FAPAS conclui que, “em nome de uma verdadeira transição ecológica, ambientalmente responsável e socialmente justa”, é “tecnicamente defensável recusar a implantação desta central fotovoltaica na Serra do Marão” e exigiu “que a produção adicional de energia solar seja assegurada em locais com menor sensibilidade ecológica e paisagística”.

Segundo o EIA, a central exigirá a beneficiação e criação de acessos e a construção tem uma duração prevista de um ano, seguindo-se uma fase de exploração de 30 anos.

A FAPAS, com sede em Vila Nova de Gaia, distrito do Porto, é uma organização não-governamental de ambiente, de âmbito nacional, sem fins lucrativos, constituída em 1990 e que está vocacionada para a promoção de ações que visam a conservação ativa da biodiversidade e dos ecossistemas.