Autarcas preocupados com instabilidade das arribas no litoral da Lourinhã
O vice-presidente da câmara da Lourinhã mostrou hoje preocupação com a instabilidade das arribas no litoral do concelho, agravada pelo mau tempo, pedindo a intervenção da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) antes da época balnear.
“A nossa maior preocupação é com a instabilidade das arribas, agravada pelo mau tempo”, disse à agência Lusa o também vereador do Ambiente e da Proteção Civil, António Gomes.
“Algumas intervenções terão de ser feitas antes da época balnear, caso contrário as situações terão de ser pelo menos sinalizadas”, acrescentou o autarca, que até ao final do mês vai reunir-se com a APA.
O autarca alertou que houve “rochas instáveis que caíram e outras poderão vir a cair”.
No relatório das ocorrências do mau tempo registadas no litoral, divulgado na terça-feira, a APA reportou problemas relacionados com a instabilidade das arribas nas praias de Paimogo, Malhada e Zimbral.
Nas praias do Areal, Peralta Valmitão, registaram-se episódios de erosão costeira e instabilidade das arribas, enquanto na Areia Branca instabilidade nas arribas e danos em obras de proteção costeira.
Já em Porto de Barcas e Porto Dinheiro, os problemas estão relacionados com a instabilidade das arribas, galgamentos costeiros e danos em obras de proteção costeira.
No próximo verão, a praia de Paimogo deverá estar interdita, na sequência do início das obras de estabilização da arriba norte, cujo concurso foi lançado em outubro pelo valor de 3,7 milhões de euros.
O município da Lourinhã estima também iniciar, até à próxima época balnear, as obras de estabilização da arriba e da linha de água, bem como construção do novo apoio de praia, uma empreitada estimada em cerca de 100 mil euros.
Os danos causados pelo mau tempo entre outubro e fevereiro no litoral de Portugal continental obrigam a um investimento de 111 milhões de euros, dos quais 15 milhões para aplicar antes do verão, segundo o relatório da APA.
Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.
Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.