Beiras e Serra da Estrela reforçam dispositivo de combate fogos

O comandante Sub-regional de Emergência e Proteção Civil das Beiras e Serra da Estrela classifica-o como “um dispositivo robusto”. Mais de 800 operacionais vão estar em permanência na fase de maior empenhamento de meios de combate a incêndios rurais.
 
Agência Lusa
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15 mai. 2026, 20:22

A Comunidade Intermunicipal Região Beiras e Serra da Estrela (CIMRBSE) vai contar com 811 operacionais em permanência na fase de maior empenhamento de meios de combate a incêndios rurais, entre 1 de julho e 31 de setembro.

O Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) da CIMRBSE foi esta sexta-feira apresentado, em Figueira de Castelo Rodrigo, no distrito da Guarda.

“É um dispositivo robusto, mas a eficácia depende da capacidade de antecipação e reação dos meios”, disse João Rodrigues, comandante Sub-regional de Emergência e Proteção Civil das Beiras e Serra da Estrela, na sessão realizada no auditório da Casa da Cultura de Figueira de Castelo Rodrigo.

Na Fase Delta, a mais crítica do verão, estarão em prontidão 163 equipas e 811 operacionais, dos quais 533 serão bombeiros voluntários, apoiados por 176 veículos, quatro helicópteros ligeiros de ataque inicial posicionados em Aguiar da Beira, Guarda, Mêda e Covilhã, e cinco máquinas de rasto.

A região das Beiras e Serra da Estrela vai contar ainda com um helicóptero bombardeiro ligeiro, estacionado em Seia, para reforçar a vigilância e a capacidade de intervenção rápida “num território particularmente sensível ao risco de incêndio” (o Parque Natural da Serra da Estrela).

A partir desta sexta-feira e até ao final do mês, na Fase Bravo, o DECIR das Beiras e Serra da Estrela conta com 519 elementos, distribuídos por 127 equipas e 128 veículos.

Em junho, na Fase Charlie, esse número aumentará para 664 operacionais, 132 equipas e 140 viaturas, o mesmo empenhamento operacional que vai vigorar de 1 a 15 de outubro.

A partir de 1 de julho, serão também mobilizadas 42 equipas de sapadores florestais e de gestão de fogos rurais do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e quatro equipas helitransportadas e terrestres da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) da GNR e uma brigada da Força Especial de Proteção Civil da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), estacionada em Trancoso.

“O dispositivo tem vindo a ser melhorado e flexibilizado ano após ano, mas tudo está dependente da rapidez do seu acionamento e das condições meteorológicas”, realçou João Rodrigues.

Segundo o comandante Sub-regional de Emergência e Proteção Civil das Beiras e Serra da Estrela, “os incêndios colocam-nos grandes desafios, por isso, o conhecimento da região é determinante”.

Entre 1 de janeiro e 30 de setembro de 2025, os incêndios consumiram 106 780 hectares na área da CIM Região Beiras e Serra, que integra 15 municípios dos distritos da Guarda e Castelo Branco.  

Na abertura da sessão, Carlos Condesso, presidente da CIMRBSE, pediu “mais meios e apoios para não se repetir o que se passou no ano passado”.

O também autarca de Figueira de Castelo Rodrigo destacou a importância da “cooperação intermunicipal na preparação da época de incêndios rurais” e sublinhou “a contínua necessidade de reforço da capacidade de prevenção, vigilância e resposta operacional em todo o território da Região Beiras e Serra da Estrela”.

Apelou ainda aos particulares para fazerem “a sua parte neste combate e limpem os seus terrenos”.

O secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, recordou que alguns dos concelhos das Beiras e Serra da Estrela integraram a lista dos vinte municípios com maior área ardida em 2025.

O governante salientou, por isso, a importância do “trabalho conjunto entre autarquias, proteção civil, forças de segurança, bombeiros e entidades da administração central e administração local na proteção das populações, do património e da floresta”.

“A nível nacional, o DECIR 2026 conta com mais operacionais e mais meios do que no ano passado, mas estamos sempre muito condicionados por aquilo que também sejam as condições meteorológicas, que ainda não dominamos”, alertou.

A esse propósito, Rui Rocha adiantou que, em 2025, “foram mais de 25 dias consecutivos de condições adversas”.