Estrutura de Missão apela a esforço coletivo para apoiar empresas afetadas pela depressão Kristin
O responsável pela Estrutura de Missão para a Recuperação das Zonas Afetadas pela depressão Kristin defendeu esta quarta-feira a necessidade de se fazer “urgente e bem” e garantiu haver vontade para tornar mais resiliente o território.
“Nós temos de fazer urgente e bem, já não é só depressa e bem, é urgente e bem, não temos outra solução”, afirmou Paulo Fernandes, em Leiria, numa sessão de apresentação e esclarecimento das medidas de apoio às empresas afetadas pela depressão Kristin, onde estiveram representantes de várias entidades.
Na intervenção, Paulo Fernandes assegurou que “a palavra missão é para levar a sério” e é um trabalho coletivo.
“Se todas [as missões] costumam sê-lo, esta não é sequer opção que não seja muito coletiva. Tem mesmo de ser coletiva, tem de ser mesmo multinível e tem de ser, obviamente, também transversal a todas as áreas do Estado, mas, também, a todas as áreas do que é a vida das empresas”, adiantou.
Aos presentes, o responsável da estrutura de missão, entidade que está sediada na Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, salientou que a reconstrução “é um processo contínuo, muito exigente”, e admitiu que “não há medidas perfeitas, mas há humildade e capacidade suficientes” para uma intermediação com a realidade concreta.
Considerando que, infelizmente, a situação ainda está “muito longe de estar estabilizada” do ponto de vista do dano, que “continua e aprofunda-se”, Paulo Fernandes salientou ser “vital esta interface, para depois fazer a interligação com estruturas de decisão ou tutela, de forma a ser encontrada resposta ou solução.
“E se puder ser rápida e, sobretudo, muito eficaz, melhor”, adiantou, assegurando que na estrutura de missão também há “vontade coletiva e com todos de construir um programa de revitalização” que torne o território mais resiliente.
Para Paulo Fernandes, ex-presidente da Câmara do Fundão (Castelo Branco), “ninguém aceitaria que depois disto [impacto da depressão]” não se começasse a pensar nos médio e longo prazos.
“Para que isto nunca mais tivesse esses efeitos e esta região também se tornasse mais forte, mais competitiva” no futuro, acrescentou.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.