Governo quer priorizar obras em escolas mais afetadas pela depressão Kristin
O ministro da Educação, Ciência e Inovação disse hoje, em Leiria, que vai priorizar as intervenções nas escolas que sofreram maiores danos após a depressão Kristin, defendendo obras profundas que as tornem mais resilientes.
“Leiria foi muito afetada nas suas infraestruturas escolares, em particular a Escola Henrique Sommer, na Maceira, e aqui em Marrazes. Sofreram danos muito, muito graves. Estas escolas vão precisar de grande investimento”, assumiu Fernando Alexandre, após uma reunião com os diretores dos estabelecimentos de ensino do concelho de Leiria.
O governante, que visitou hoje as escolas da Maceira e de Marrazes, no concelho de Leiria, constatando os estragos ainda visíveis provocados pelo mau tempo, acrescentou que já existiam “investimentos que estavam previstos”, mas que “agora serão reequacionados, também numa perspetiva de tornar estas infraestruturas mais resilientes, mais preparadas para enfrentar este tipo de eventos, que serão cada vez mais frequentes”.
Se a escola de Marrazes já tem um projeto efetuado, a Henrique Sommer “não estava como uma prioridade já próxima”, mas, “neste momento, passa a ser, porque a escola não tem as condições para funcionar na sua totalidade”, pelo que “terá de ser priorizada neste contexto dos efeitos da tempestade”, sublinhou Fernando Alexandre.
Para o ministro, o desafio que surge de imediato é o de planeamento, “que será feito pela autarquia, com a CCDR [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional] da Região Centro, e também acompanhado pelo Governo”.
“Temos de conseguir reunir as condições para que as escolas funcionem com normalidade, mas que não façamos esses investimentos apenas numa lógica de colocar novamente as coberturas, [resolver] o problema das janelas que se partiram, das infiltrações. Façamos um investimento que tenha uma dimensão de médio e longo prazo”, defendeu.
Fernando Alexandre considerou que é preciso ter a “capacidade também logística para garantir as condições para a comunidade escolar, muitas vezes recorrendo a monoblocos ou até a espaços alternativos, mas fazendo um investimento, sobretudo em centros escolares com dimensão, como o do agrupamento escolar de Henrique Somer e também em Marrazes”.
O governante sublinhou que estes são agrupamentos “com muitos alunos, que têm infraestruturas com grande dimensão”, pelo que os investimentos permitirão mudar “as condições educativas para os alunos, para os professores, para toda esta comunidade”, o que não se fará em meses.
Deixando um reconhecimento à autarquia, diretores de escolas, pais e toda a comunidade educativa, no “enorme esforço” realizado para que as aulas retomassem rapidamente após a tempestade, o ministro destacou o papel do PTRR - Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência, que se baseará numa “simplificação administrativa”.
Prevê-se que essa simplificação se verifique, “seja agora para os pagamentos que terão que ser feitos às autarquias pelos investimentos, pelas despesas que estão a assumir no contexto desta recuperação, seja na forma como serão usados os fundos europeus”.
O responsável pela pasta da Educação admitiu que há “regras para seguir”, mas o que é preciso é “capacidade de execução”.
“Não é apenas administrativa, é também do ponto de vista da própria organização. Neste planeamento dos grandes investimentos que estamos a fazer nas escolas e em muitas outras infraestruturas, temos de ser muito inteligentes a definir as prioridades e a planear porque não conseguimos ir a todas as necessidades ao mesmo tempo”, reforçou.
Fernando Alexandre insistiu no planeamento estratégico para que o investimento seja feito “numa lógica de médio prazo”, para sanar as fragilidades e evitar que se voltem a sofrer danos semelhantes daqui a 5 ou 10 anos.
“É importante que os projetos sejam repensados para que, de facto, tenham capacidade de resistir a este tipo de eventos extremos”, acrescentou.