Investimento de 2,8ME em Mértola vai permitir navegabilidade do Rio Guadiana

A intervenção de 2,8 milhões de euros para o desassoreamento e recuperação das margens do Guadiana no concelho de Mértola vai ser fundamental para garantir a navegabilidade do rio, afiançou o presidente da câmara municipal.
Agência Lusa
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02 abr. 2026, 11:49

“Este investimento permite-nos concretizar este projeto maior para o território e muito importante para o desenvolvimento de Mértola”, disse hoje à agência Lusa Mário Tomé, presidente deste município do distrito de Beja.

O projeto de desassoreamento e recuperação das margens do Rio Guadiana no concelho de Mértola está previsto no contrato-programa assinado, na terça-feira, entre a autarquia, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e o Fundo Ambiental.

O investimento faz parte do pacote de 50 milhões de euros disponibilizado pelo Governo, através do Fundo Ambiental, para obras urgentes em cerca de 40 municípios que sofreram danos devido ao mau tempo.

Em comunicado, a Câmara de Mértola explicou que, no caso deste concelho, o apoio destina-se a operações de limpeza e estabilização de margens, à reposição dos equipamentos de apoio à navegação entre esta vila e a localidade do Pomarão e ao desassoreamento do rio no troço entre a foz da Ribeira de Oeiras e a Ribeira de Carreiras.

“Com esta intervenção, pretende-se restabelecer as condições de segurança e navegabilidade do rio, bem como salvaguardar os valores ambientais e paisagísticos associados ao território, contribuindo para a valorização do rio como recurso natural e turístico”, acrescentou o município.

Segundo Mário Tomé, o mau tempo registado no passado mês de fevereiro agravou a situação verificada no Guadiana, em que “os sedimentos acumulados em zonas críticas do rio não permitiam a sua navegabilidade” até Mértola.

“Portanto, do problema que houve, nasceu uma oportunidade de excelência”, sublinhou o autarca (PS).

O investimento, continuou, tem “três variáveis”, nomeadamente a recuperação das margens do rio e da frente ribeirinha em Mértola, “uma obra de 400 mil euros executada recentemente”, e a recuperação de 10 estruturas náuticas “de apoio à atividade turística e piscatória”.

“E depois, existe um terceiro eixo, o mais importante e maior, que é a dragagem do rio, que nos vai permitir essa navegabilidade” até Mértola, disse.

Ou seja, de acordo com Mário Tomé, o protocolo assinado com a APA e com o Fundo Ambiental permite efetuar “a limpeza imediata do rio e, no médio prazo, concretizar um dos projetos mais importantes para o território, que já era um problema grave e que se agravou significativamente com as cheias”.

Na opinião de Mário Tomé, a concretização do desassoreamento do rio vai ser “uma mais-valia do ponto de vista turístico, com o lógico e sequencial incremento na economia local”.

“Vai-nos permitir tornar o rio navegável, mas não o vamos banalizar e perder o conceito maior, que é o Guadiana 'selvagem'”, concluiu.