Jovens ativistas pelo clima marcam "semana de luta pelo futuro" para maio

Jovens ativistas pelo clima reúnem-se em maio, mobilizando eventos e protestos em várias cidades para pressionar o governo e as empresas a adotarem medidas urgentes contra a crise climática
Agência Lusa
Agência Lusa
09 mar. 2026, 20:58

Jovens ativistas que hoje se manifestaram junto da Assembleia da República e do Palácio de Belém pelo fim dos combustíveis fósseis anunciaram uma “semana de luta pelo futuro” de 11 a 15 de maio.

O anúncio foi feito num comunicado divulgado na tarde de hoje depois de, disseram no documento, o Presidente da República, António José Seguro, se ter recusado a assumir o compromisso pelo fim dos combustíveis fósseis até 2030.

A recusa, dizem no comunicado, aconteceu perante estudantes de Penamacor (de onde o Presidente é natural) nos jardins de Belém, ao mesmo tempo que outros jovens se concentravam no exterior da Presidência da República.

“Em Assembleia organizada no exterior do Palácio de Belém, foi decidido pelos estudantes convocar uma ‘Semana de Luta pelo Futuro’ de 11 a 15 de maio, pelo direito a viver, à educação e saúde gratuitas para todas as pessoas, à soberania alimentar, ao fim à guerra e ao fim aos combustíveis fósseis até 2030”, dizem no comunicado, enviado pelo movimento Climáximo.

No documento, o movimento explica que António José Seguro foi confrontado diretamente por uma estudante de Penamacor que lhe perguntou “se ele vai vender a Vida e futuro ou comprometer-se pelo fim aos combustíveis fósseis até 2030”.

O Presidente, contam os jovens no comunicado, desviou a conversa para outros campos de ação, como o resgate das catástrofes dos incêndios e das tempestades, “mantendo-se do lado do desastre ao recusar atuar sobre a origem destas catástrofes, as emissões de gases com efeito de estufa, em particular devido aos combustíveis fósseis”.

Citada no comunicado, Beatriz Jesus, estudante de Penamacor que interpelou o Presidente, afirmou que no verão passado o concelho onde estuda, e onde o Presidente estudou também, foi fustigado pelos incêndios.

“Como é que é possível que ainda não se tenha comprometido com o Fim ao Fóssil até 2030, mesmo tendo visto o território onde cresceu ter sido devastado pela crise climática?”, questionou a jovem, afirmando que a situação se vai agravar e que o Presidente também o sabe.

“Mesmo assim está a escolher vender a nossa vida e futuro à indústria fóssil, ao recusar-se a tomar uma posição - a única posição que salvaguarda o nosso futuro”, disse a jovem.

No exterior do Palácio dezenas de jovens já tinham exigido um compromisso a António José Seguro

“Seguro afirmou a sua decisão, e apesar de o seu mandato ser até 2031 não se comprometeu com acabar com os combustíveis fósseis até 2030, a única forma de garantir as condições básicas para a existência de vida humana e de um futuro”, dizem os jovens no comunicado.