Mais de 160 concelhos em perigo máximo de incêndio com temperaturas a chegar aos 40 graus

Mais de 160 concelhos de 17 distritos do continente estão em perigo máximo de incêndio rural, numa altura em que as temperaturas podem atingir os 40 graus, a humidade desce para valores inferiores a 30% e o vento forte agrava o risco de propagação de fogos, levando a Proteção Civil a reforçar os alertas e as medidas de prevenção.
Mariana Moniz
Mariana Moniz Jornalista
12 jun. 2026, 11:40

Mais de 160 concelhos de 17 distritos de Portugal continental estão em perigo máximo de incêndio rural, numa altura em que o país enfrenta um agravamento das condições meteorológicas associadas ao tempo quente e seco. A combinação de temperaturas elevadas, humidade muito baixa e vento forte está a aumentar significativamente o risco de ignição e propagação de incêndios em grande parte do território.

Segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), os próximos dias serão marcados por temperaturas máximas que poderão atingir os 40 graus em várias regiões do país. A situação será acompanhada por valores de humidade relativa do ar inferiores a 30% na maior parte do território, com fraca recuperação durante a noite, criando condições particularmente favoráveis à ocorrência de incêndios rurais.

O cenário é agravado pela previsão de vento forte nas terras altas, com rajadas que poderão atingir os 70 quilómetros por hora. Esta conjugação de fatores aumenta não só a probabilidade de deflagração de incêndios, mas também a velocidade de propagação das chamas e a dificuldade das operações de combate.

A Proteção Civil alerta que as condições mais críticas deverão sentir-se sobretudo nas regiões do interior Norte, Centro e Algarve, embora o perigo de incêndio muito elevado a máximo se estenda à generalidade do território continental.

O que está proibido

Perante este cenário, encontram-se em vigor várias restrições legais. Nos dias em que o perigo de incêndio é classificado como muito elevado ou máximo, é proibida a realização de queimadas extensivas e de queimas de amontoados.

Também não é permitido utilizar fogo para confeção de alimentos em espaço rural, exceto em locais expressamente autorizados e fora das zonas críticas. Estão ainda proibidas operações de fumigação ou desinfestação em apiários sem dispositivos de retenção de faúlhas.

As restrições abrangem igualmente a utilização de motorroçadoras, corta-matos e destroçadores, equipamentos frequentemente associados ao início de incêndios durante os meses mais quentes. A Proteção Civil recomenda ainda evitar o uso de grades de discos e reforçar todos os cuidados em atividades realizadas no espaço rural.

Cuidados com o calor

Além do risco de incêndio, as autoridades alertam para os efeitos das temperaturas elevadas na saúde. Entre as recomendações estão o aumento da ingestão de água, a utilização de protetor solar com fator superior a 30, o uso de roupa leve e fresca e a permanência em locais protegidos do calor durante os períodos mais quentes do dia.

Crianças, idosos e pessoas com doenças crónicas são considerados grupos particularmente vulneráveis e devem adotar precauções acrescidas durante este período de calor intenso.

A Proteção Civil recorda que a maioria dos incêndios rurais tem origem em comportamentos humanos e apela ao cumprimento rigoroso das restrições em vigor, sublinhando que a prevenção continua a ser a principal ferramenta para evitar a ocorrência de fogos nos próximos dias.