Mau tempo: Instituto Superior Miguel Torga de Coimbra garante apoio psicológico gratuito
Durante as intempéries que atingiram o país, houve equipas de psicólogos de algumas instituições a ajudar as pessoas afetadas, “e foi assim que surgiu a ideia de, numa segunda fase, na fase de retorno à rotina”, auxiliar quem passou por momentos difíceis e traumáticos, afirmou uma das coordenadoras do projeto, Laura Lemos.
Em declarações à agência Lusa, a docente e investigadora do ISMT explicou que uma dificuldade na gestão emocional “pode aparecer semanas ou até meses depois” dos acontecimentos.
Os sintomas podem manifestar-se mais tarde, "quando a pessoa já está a processar aquilo que lhe aconteceu, as coisas que vivenciou ou que viu acontecer a outros, que têm muitas vezes impacto significativo”.
“E é nessa altura que surge a sintomatologia mais depressiva ou ansiosa [sintomas que podem ser mais frequentes nestes casos]”, acrescentou.
De acordo com o ISMT, o acompanhamento está a ser assegurado por uma equipa de 18 psicólogos e é estimada uma capacidade de realizar cerca de 30 consultas semanais, sendo expectável acolher um universo de sete dezenas de pessoas ao longo dos próximos seis meses.
Apesar da limitação de vagas, Laura Lemos realçou a motivação e disponibilidade dos profissionais para integrar os interessados “o máximo possível”.
Segundo a docente, a frequência das consultas será determinada consoante a necessidade de cada caso, havendo a possibilidade de sessões individuais ou familiares.
O Instituto Superior Miguel Torga garantiu que a assistência psicológica é “profissional, estruturada e confidencial”.
Os interessados poderão enviar um ‘e-mail’ para gapsi@ismt.pt ou contactar o número geral do ISMT.
Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.
Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.