O que muda no tempo com a chegada da depressão Marta
A depressão Marta irá chegar a Portugal continental este sábado, 7 de fevereiro, trazendo novamente chuva intensa e vento forte, sobretudo a várias regiões do Sul do país. Depois de semanas marcadas por sucessivos episódios de mau tempo, o novo sistema meteorológico volta a colocar vários distritos sob risco acrescido, numa altura em que os solos e as bacias hidrográficas se encontram já fortemente saturados.
O período mais crítico está previsto para as primeiras horas do dia. Entre as seis e as dez da manhã, com um pico por volta das oito, a precipitação poderá ser particularmente intensa num curto espaço de tempo, aumentando o risco de ocorrências associadas à chuva forte. Lisboa, Setúbal, Santarém e Évora surgem como os distritos mais afetados, embora o impacto possa estender-se a outras zonas do país, incluindo Beja e Faro.
Apesar de a chuva se fazer sentir na maioria do território continental, Mário Marques sublinha ao Conta Lá que “o grande impacto será nestes distritos mencionados”, sobretudo devido à conjugação entre a intensidade da precipitação e o estado atual do território. O climatologista alerta para o facto de o país já vir de vários dias consecutivos de mau tempo, o que agrava substancialmente o risco. “Os solos estão completamente saturados”, afirmou, acrescentando que algumas bacias hidrográficas apresentam menor capacidade de encaixe.
As regiões do Sul e do centro surgem como particularmente vulneráveis, nomeadamente a bacia do Sado e vários ribeiros associados. Também o rio Tejo poderá enfrentar um aumento de pressão, já que a precipitação intensa irá afetar os seus afluentes a montante, criando “mais stress relativamente a esta situação”, explicou o especialista.
A depressão terá uma trajetória mais a Sul e deverá começar a fazer-se sentir a partir do final da madrugada de sábado no que toca ao vento. “Vai ser necessária alguma atenção redobrada, uma vez que ela poderá entrar a partir do fim da madrugada, início da manhã, e sobretudo a afetar os distritos de Lisboa, Setúbal e Évora, e também o Algarve”, explica.
Abordagem mais pragmática
Questionado sobre a intensidade da depressão Marta em comparação com as anteriores, Mário Marques referiu que, apesar de o processo ser semelhante, isso não significa que seja idêntico ou com a mesma severidade. Ainda assim, defendeu que a situação exige cautela, sobretudo devido à acumulação de eventos meteorológicos recentes.
Em termos de comportamentos preventivos, o climatologista aconselha a população a evitar deslocações nas primeiras horas da manhã de sábado. “Evitar a circulação durante a manhã de sábado, sobretudo nestes distritos mencionados, adiar as viagens e resguardar-se mais um pouco”, recomendou, sublinhando que, por se tratar de um sábado, a exposição da população é menor do que seria num dia útil, o que ajuda a reduzir o risco.
Sobre o padrão meteorológico observado neste inverno, Mário Marques considera que estes episódios sucessivos se enquadram numa tendência que tem vindo a verificar-se nos últimos anos, com estações intermédias mais rigorosas e períodos de instabilidade mais prolongados. Ainda assim, alertou para a necessidade de uma abordagem mais pragmática na resposta a eventos extremos, defendendo uma melhor capacidade de análise, observação e previsão, para lá da simples dependência dos modelos meteorológicos.
Apesar do cenário adverso a curto prazo, há boas notícias no horizonte. De acordo com o climatologista, as condições meteorológicas deverão começar a melhorar de forma significativa a partir do dia 10 de fevereiro nas regiões do Sul. No Norte, a melhoria deverá sentir-se alguns dias mais tarde, entre os dias 12 e 13. Para a segunda quinzena de fevereiro, a expectativa é de um período “muito mais estável”, trazendo algum alívio após várias semanas marcadas pelo mau tempo.