Onda de calor extremo nos próximos dias: "Em muitos locais, as mínimas não vão baixar dos 28 graus"
O verão ainda nem começou oficialmente e Portugal já se prepara para enfrentar aquilo que poderá ser uma das mais intensas ondas de calor dos últimos anos. A partir de 21 de junho, os termómetros deverão disparar em grande parte da Península Ibérica, com temperaturas que podem ultrapassar os 40ºC em várias regiões do país.
Segundo as previsões meteorológicas, uma massa de ar extremamente quente proveniente do Norte de África deverá instalar-se sobre Portugal, Espanha e França durante vários dias consecutivos. Mas para o meteorologista Mário Marques, o que está a caminho não é apenas mais um episódio de calor.
"Agora sim, é uma onda de calor verdadeira e tórrida", explica ao Conta Lá o meteorologista, afirmando que o episódio de maio não foi precisamente uma onda de calor: "Estamos a falar de temperaturas acima dos 40 graus em grande parte do território e, em alguns locais, poderão atingir os 43 ou 44 graus. Para ser uma onda de calor tem de ser em todo o território nacional".
O especialista alerta que o calor não ficará confinado ao interior do país. Mesmo em zonas habitualmente mais amenas, como o litoral, os valores poderão ser muito elevados: "No litoral poderemos ter temperaturas de 37 ou 38 graus. E o mais preocupante são as mínimas. Em muitos locais poderão não baixar dos 28 graus durante a madrugada".
Isso significa que as noites poderão ser particularmente difíceis. Sem o habitual arrefecimento noturno, o calor vai acumulando de dia para dia, agravando o desconforto térmico, sobretudo nos grandes centros urbanos.
"No centro das cidades, como Porto ou Lisboa, as ilhas de calor urbanas podem tornar o ambiente ainda mais desconfortável. O calor acumula-se e não há recuperação durante a noite", explica.
"Uma situação rara que faz lembrar 2003"
Mário Marques admite que este episódio o faz recordar um dos verões mais marcantes das últimas décadas: "Eu só me lembro de uma situação semelhante nesta altura do ano em 2003. Começou com uma onda de calor intensa antes do São João e este cenário faz lembrar muito esse período".
Esse ano ficou marcado por temperaturas excecionalmente elevadas durante semanas, com vários recordes históricos registados em Portugal e noutros países europeus. Ainda assim, o meteorologista acredita que o padrão deste verão poderá ser mais complexo, uma vez que "poderemos ter um verão muito tropical", "com muito calor, mas também com mais dias de trovoada do que é habitual".
Segundo o especialista, a origem do fenómeno está numa poderosa injeção de ar quente vinda do Norte de África, que atravessará a Península Ibérica de sul para norte. Essa massa de ar ficará "praticamente estacionária sobre a região devido à ausência de vento significativo em altitude, formando uma espécie de cúpula de calor" que impede a dispersão rápida das temperaturas extremas.
Entre os dias 21 e 24 de junho, o calor deverá atingir o seu pico em Portugal. Depois, a massa de ar quente poderá avançar para França e outras regiões da Europa Ocidental.
Risco de incêndios aumenta
Além do desconforto para a população, o cenário preocupa também pela possibilidade de agravamento do risco de incêndio: "As condições para que existam ignições estarão lá", alerta Mário Marques. Embora numa primeira fase o vento seja fraco, reduzindo o potencial de propagação, a situação pode mudar nos dias seguintes.
"A partir de 26 ou 27 de junho poderá surgir mais vento e aí o perigo aumenta significativamente", explicou o especialista. Para já, as previsões apontam para vários dias de calor intenso e tempo seco em praticamente todo o território continental.