Rio Âncora ganha novo impulso de vida com a libertação de 25 mil pequenas trutas
Cerca de 25 mil pequenas trutas foram libertadas no rio Âncora, dando-lhe um novo impulso de vida, numa iniciativa do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), em colaboração com o município de Viana do Castelo e com as juntas de freguesia locais.
Em comunicado, os promotores da iniciativa explicam que estes pequenos peixes, designados nas primeiras semanas de vida como alevins, descendem de trutas do próprio rio Âncora e foram capturados no seu troço superior, na vertente ocidental da Serra de Arga. Foram mantidos em cativeiro no Posto aquícola do Torno (Ansiães, Serra do Marão, Amarante), num processo de adaptação inicial muito exigente
A largada foi realizada em oito locais diferentes ao longo do rio, escolhidos por oferecerem as melhores condições ecológicas para que estas trutas cresçam e sobrevivam.
A truta fário, espécie emblemática dos rios de montanha, assume um papel fundamental enquanto indicador da qualidade da água e do estado ecológico dos rios. Esta ação insere-se num modelo de conservação desenvolvido pelo ICNF, que procura contribuir para a recuperação de efetivos naturais, para o aumento da biodiversidade e a promoção da sustentabilidade dos ecossistemas aquáticos, num contexto de crescente pressão - desde a poluição à pesca excessiva e a outros fatores de degradação dos habitats, potenciados pelas alterações climáticas.
Um modelo de conservação que tem demonstrado resultados positivos: no Parque Natural do Alvão, ações semelhantes iniciadas em 2016, a truta passou de espécie residual a dominante em vários troços do rio Olo.
"Ao reforçar a população desta espécie emblemática dos rios de montanha, contribui-se não só para a recuperação da vida no rio, mas também para a valorização do território. Um rio mais saudável significa mais natureza, mais beleza e mais oportunidades para atividades como o turismo de natureza e a pesca sustentável", lê-se no comunicado
Num ponto de largada da zona média do Rio Âncora, António Martinho, técnico superior do ICNF, citado na nota, explicou que atualmente, o rio Âncora "encontra-se organizado em dois troços de pesca lúdica", existindo um "troço de pesca sem morte — uma prática mais sustentável dos recursos explorados, que obriga à devolução ao rio dos peixes capturados, utilizando anzóis sem barbela para minimizar os danos". "No futuro, caso se verifique um aumento significativo das populações, poderá ser equacionada a abertura controlada à pesca com retenção de algumas capturas, obedecendo, no caso específico das trutas, a um tamanho mínimo de 20 cm", acrescentou.