“Inverbo”, um disco intimista e rebelde na voz de Pedro Abrunhosa. Músico reflete sobre a fé, a dúvida e a salvação

Nesta entrevista a Pedro Abrunhosa, após o lançamento do novo álbum, “Inverbo”, o músico fala sobre a dimensão espiritual da fase criativa que atravessa. 
Pedro Marcos Editor de imagem
Sofia Dias Olmedo
Sofia Dias Olmedo Jornalista
Nuno Miguel Santos Repórter de imagem
04 mar. 2026, 22:00

Pedro Abrunhosa começou o ano 2026 com uma novidade discográfica, ao lançar o seu nono álbum de estúdio, o “Inverbo”. Na entrevista ao Conta Lá que assinala este lançamento, Pedro Abrunhosa recorda a conversa que teve com o cardeal D. Tolentino de Mendonça, no Vaticano, às vésperas da edição do álbum, um encontro que sublinha a dimensão espiritual que atravessa nesta fase da sua carreira. 

Apesar de se considerar agnóstico, Abrunhosa fala da sua relação com o Cristianismo e com Deus, assumindo que a ética cristã se coaduna com os seus valores. Descrente da ressurreição enquanto promessa literal, encontra na ideia de salvação um significado terreno: a possibilidade de redenção através do amor, da arte e do outro.

Em "Inverbo", as canções alongam-se no tempo, desafiando a lógica da urgência contemporânea e convocando uma escuta paciente. Essa intenção inscreve-se num capítulo mais espiritual do seu percurso, iniciado com o álbum Espiritual e agora aprofundado com “Inverbo”. Nas letras, mantém-se o exercício de empatia que marca a sua escrita: histórias de desconhecidos tornam-se matéria poética, quase sempre convocadas por um “tu” que interpela, aproxima e universaliza.

Ao longo da entrevista, Pedro Abrunhosa deixa, ainda, antever um possível e inesperado “plot twist” no seu futuro artístico, sugerindo que esta demanda interior poderá abrir caminho a uma nova mutação de registo.