De Vila Real para Paris: 50 alunos de bailado vão atuar na Disneyland

A Escola de Bailado de Vila Real vai levar dezenas de alunos a um palco internacional. A participação resulta de uma candidatura ao programa artístico da Disney e junta bailarinos de várias idades numa experiência que marca a história da instituição.
Mariana Moniz
Mariana Moniz Jornalista
17 mar. 2026, 08:00

Cinquenta alunos da Escola de Bailado de Vila Real vão atuar na Disneyland Paris, em França, depois de terem sido selecionados para integrar o programa internacional Disney Performing Arts. A participação resulta de uma candidatura enviada pela escola transmontana e representa um marco na história da instituição, que conta já com mais de três décadas de atividade. A seleção surgiu após a escola ter submetido uma audição em vídeo com um dos seus espetáculos mais recentes, inspirado no universo Disney.

“Fizemos uma candidatura, uma audição através de vídeo com um dos nossos espetáculos”, começou por explicar Filipa Correia, diretora da Escola de Bailado de Vila Real, ao Conta Lá. “Todos os anos fazemos espetáculos inspirados em histórias da Disney e o nosso último espetáculo foi inspirado no filme Wish. Curiosamente, no final fizemos uma brincadeira com os alunos em que lhes perguntámos qual seria o maior sonho deles e a maioria disse “dançar num espaço como a Disneyland”. Explorámos essa hipótese, pensámos que não era possível, mas afinal foi”.

Segundo a responsável, a resposta da organização foi imediata e positiva, o que acabou por confirmar a presença da escola na edição de março do programa artístico. “Eles responderam-nos com um parecer muito positivo, disseram que adoraram o que viram e fomos selecionados para estarmos presentes neste programa internacional”, acrescentou.

Espetáculo junta vários estilos de dança

No total, 50 alunos vão participar na atuação, com idades compreendidas entre os 9 e os 47 anos. “A nossa aluna mais velha trabalha na administração de um hospital e faz isto como hobby, mas quis também abraçar este desafio e, claro, tínhamos de incluí-la”, contou Filipa Correia.

Em palco, os bailarinos vão apresentar uma coreografia que reúne vários estilos de dança ensinados na escola, numa síntese do trabalho desenvolvido pela instituição. “Vamos fazer uma mostra do espetáculo que apresentámos em julho do ano passado e tentar levar os principais estilos de dança que temos aqui na escola. Vai desde o ballet ao contemporâneo e teatro musical, mas também temos coreografias de hip-hop e afrodance”, explicou a diretora.

A atuação será estruturada como um pequeno espetáculo contínuo, que reúne diferentes coreografias. “Iremos montar um mini espetáculo para também contarmos um pouco da nossa história enquanto escola”, acrescentou. 

Fundada há 33 anos, a escola vê nesta participação um momento particularmente simbólico. “É realmente um marco histórico para nós. No fundo, é abrir portas a um reconhecimento internacional do trabalho que tem sido feito durante estes anos todos com muito esforço”, afirmou Filipa Correia.

A diretora sublinhou também os desafios de desenvolver projetos culturais fora dos grandes centros urbanos. “No interior, as oportunidades são sempre mais reduzidas e temos de trabalhar muito mais. Sentíamos que os nossos alunos também podiam chegar lá e, para eles, isto é um sonho alcançado”, disse.

Primeira participação num programa deste género

Apesar de a escola já ter participado anteriormente em concursos internacionais, esta será a primeira vez que integra um programa artístico internacional deste tipo.

“A nível de programa internacional deste género, sim, é a primeira vez. Já participámos em concursos internacionais, mas acabámos por deixar de trabalhar muito essa área porque sentíamos que trazia alguma frustração aos alunos”, explicou a responsável. 

De acordo com Filipa Correia, a escola procura privilegiar um ambiente de aprendizagem inclusivo e cooperativo. “Aquilo que fomentamos aqui diariamente é que todos podem, que a escola é aberta a todos e que os alunos devem ser amigos uns dos outros”, referiu.

Ainda assim, atuar na Disneyland representa uma oportunidade rara. “É um palco onde escolas de toda a Europa vão atuar e, no fundo, acaba por ser também um marco para Portugal”, acrescentou. A participação no programa implica também um investimento financeiro significativo. De acordo com a diretora, a maior parte dos custos da viagem foi suportada pelas famílias dos alunos, com o apoio pontual de parceiros privados.

“Todo o custo foi suportado pelas famílias. Tivemos aqui uma pequena ajuda de alguns parceiros privados, mas o investimento principal foi feito pelos pais”, explicou

Para a responsável, o envolvimento das famílias acabou por se tornar um dos aspetos mais marcantes deste processo. “Foi bonito ver como as famílias se uniram. Foi um investimento alto, mas os pais fizeram questão de proporcionar esta experiência aos alunos e de garantir que ninguém ficava de fora”, concluiu.