Festival dos Capuchos chega a Almanda entre “Amores & Humores”

Sob o mote “Amores & Humores” realiza-se a partir de 23 de maio e até 24 de junho, o Festival dos Capuchos, em Almada, sob a direção artística do pianista Filipe Pinto-Ribeiro, com a estreia em Portugal do Sliks A Capella Ensemble.
Agência Lusa
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18 abr. 2026, 12:15

Filipe Pinto-Ribeiro justificou o mote desta edição “por uma questão de apelo, escolhendo uma dualidade entre humores e amores, jogando com a dualidade fonética”.

“Acima de tudo entre a dualidade e a complementaridade, entre aquilo que é um dos grandes temas da arte, o Eros, desde a Antiguidade Clássica, passando pelos estados de espírito, aqueles humores da alma, não só numa componente mais imediata, humorística, mas também naquilo que representa em vários momentos da história da arte, por exemplo, no século XIX, os humores do romantismo alemão, mas não só, também os afetos do barroco”, afirmou.

O pianista falou também dos "vários amores, amor divino ou espiritual" e dos "vários momentos de amor mais terreno, entre pessoas, mas também em várias dimensões”.

Por outro lado, prosseguiu, a escolha também visa “combater os preconceitos, já que a música erudita é muitas vezes vista como séria e grave”.

O cartaz do Festival, que inclui algumas estreias nacionais, conta com nomes como a orquestra sinfónica de Paris Consuelo, o Officium Ensemble, os pianistas Nuno Vieira de Almeida e Júlio Resende, o guitarrista Bruno Chaveiro, o DSCH Shostakovich Ensemble e a cantora Maria Mendes, e decorrerá em diferentes espaços do concelho de Almada, do Convento dos Capuchos, ao Parque da Paz, passando pelo Fórum Romeu Correia, entre outros.

O concerto de abertura, constituído pelo Concerto para Violoncelo e Orquestra, de Robert Schumann, e a Sinfonia n.º3, de Johannes Brahms, no dia 23 de maio, no Teatro Municipal Joaquim Benite, é protagonizado pela orquestra sinfónica Paris Consuelo, sob a direção musical do violoncelista Victor Julien-Laferrière. Esta orquestra bisa o certame - a anterior participação foi há dois anos.

A programação apresenta “vários concertos que cruzam as temáticas do humor e dos amores e cruzam vários estilos”, num arco cronológico desde o período do Renascimento à atualidade.

No núcleo correspondente ao Renascimento e ao Barroco, Pinto-Ribeiro referiu o concerto, no dia 24 de maio, na capela do Convento dos Capuchos, dedicado ao amor divino, pelo coro Officium Ensemble, sob a direção musical de Pedro Teixeira, que inclui peças de Palestrina, Luís de Victoria, Afonso Lobo e Estêvão de Brito.

Outro destaque é o do Ensemble L’Amoureux Empire, “Amores e Desamores do Barroco Italiano”, no dia 14 de junho, na capela do Convento.

Este ensemble venceu o Prémio Jovens Músicos/Música Barroca, em 2024, e é formado pela soprano Raquel Mendes, a gambista Marina del Castillo, e ainda, por Mariana Santos (tiorba) e Rafaela Salgado (cravo).

Outro núcleo da programação é dedicado ao romantismo alemão, desde logo o concerto de abertura, mas também o concerto “O Amor e o Adeus - Tríptico Romântico”, pelo Quarteto de Leipzig, no dia 7 de junho, no Convento, para interpretar obras de Niels Gade, Mendelssohn e Brahms, e o recital de canto e piano “Amores de Poeta”, no dia 31 de maio, no Convento, pela soprano Mandy Friedrich, que se estreia no Festival, acompanhada por Matthias Samuil. Este recital inclui obras de Robert e Clara Schumann, Richard Strauss e Mozart, entre outros.

Outro destaque é o recital do pianista uzbeque Eldar Nebolsin, “Chopin & Schumann – Fantasia & Carnaval”, a 19 de junho, no Convento.

O responsável que se apresentará no dia 24 de junho, no Convento, referiu também a Gala de Ópera com a Orquestra Metropolitana de Lisboa (OML), que encerra o certame, no dia 20 de junho, pelo segundo ano consecutivo no Parque da Paz, e em que serão interpretadas obras de Bizet, Massenet, Puccini, Lehár Giordano, Dvorák, Kálmán e Mascagni.

A direção musical será do maestro Pedro Neves, e contará com a soprano russa Anna Samuil e o tenor austríaco Peter Sonn, “dois cantores de referência dos grandes palcos líricos”.

Filipe Pinto-Ribeiro apresenta-se no Festival no dia 24 de junho, no Convento, no concerto “Humores de Câmara”, cujo programa inclui o Trio para piano, de Haydn, “Three Funny Pieces”, de Shchedrinnn, “Trois Poires en Forme de Satie”, de Carlos Azevedo, e o Trio para Piano, de Mendelsshon. Com Pinto-Ribeiro estão a violinista Diana Tishchenko e o violoncelista Kyril Zlornikov.

O grupo vocal Sliks a Capella Ensemble estreia-se em Portugal, no Festival, no dia 18 de junho, no Auditório Lopes-Graça, apresentando “De Bach a Prince – Groove Vocal”.

A programação do festival inclui um espetáculo de jazz da portuguesa Maria Mendes que apresenta o seu mais recente álbum, “Saudade, Colour of Love” (2022), com o pianista francês Cédric Hanriot, no dia 28 de maio, no Auditório Lopes-Graça.

O “Piano Português Namora Guitarra Portuguesa”, com Júlio Resende e Bruno Chaveiro, acontece no mesmo auditório, a 09 de junho.

O pianista Nuno Vieira de Almeida com a atriz Rita Blanco apresentam, em 13 de junho, no Convento, o melodrama “Enoch Arden”, de Richard Strauss, com um poema de Alfred Tennyson, numa tradução de Vítor Moura.

O ensemble austríaco de sopros Mnoxi, “considerados os Monty Python da música clássica”, apresenta, no Teatro Municipal Joaquim Benite, o espetáculo comemorativo do seu 30.º aniversário.

A vertente literária do Festival conta com o ciclo “Conversas dos Capuchos", com curadoria do jornalista Carlos Vaz Marques, em que serão abordadas duas efemérides: os 300 anos da edição de “As Viagens de Gulliver”, de Jonathan Swift, e o centenário da morte do poeta Camilo Pessanha (1867-1926), o autor de "Clepsidra".

A edição deste ano do Festival dos Capuchos tem um orçamento de 300.000 euros. No ano passado, assistiram ao Festival “mais de 8.000 espectadores”, disse Filipe Pinto-Ribeiro.