Mais de 23 metros de altura, mil metros de tecidos e centenas de ornamentos: o gigante andor de Vila Real que é Património Cultural Imaterial
Imponente andor da Senhora da Pena é símbolo das festas da freguesia de Mouçós, em Vila Real. Tradição do século XVIII integra agora o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.
É uma manifestação religiosa com mais de dois séculos e que é agora integrada no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI). Na freguesia de Mouçós, concelho de Vila Real, todos os anos se ergue um andor com mais de 23 metros de altura como destaque da romaria de Nossa Senhora da Pena.
Para que a estrutura esteja pronta em setembro, altura da romaria, a construção começa com dois meses de antecedência. “Centenas de ornamentos, mais de mil metros de tecidos e dezenas de quilos de alfinetes ajudam a revestir a estrutura de madeira, com base num trabalho minucioso. Depois de pronto, o andor impressiona pelas suas formas, texturas e cores, mas sobretudo pela altura descomunal, ultrapassando os 23 metros”, detalha a documentação do INPCI.

Transporte do andor em 1985 (Foto: INPCI)
Ritual de passagem
Com um peso de cerca de três tonelada, são precisas mais de uma centena de pessoas para carregar em ombros a estrutura, num percurso circular de 650 metros à volta do recinto do Santuário de Nossa Senhora da Pena, no dia da procissão. No final do percurso, os carregadores levantam o andor diversas vezes, num momento que a população conhece por “dança do andor” e que é descrito como um ritual de passagem “para os indivíduos que se aproximam da idade adulta e atingem a capacidade física necessária ao esforço”, explica o INPCI.
A freguesia de Mouçós integra 11 aldeias, que vão organizando a romaria de forma rotativa. O transporte do andor é sempre assegurado pela população d aldeia encarregada de organizar a festa do ano seguinte, simbolizando a passagem de testemunho.
“Trata-se, portanto, de uma organização peculiar, de características etnográficas, sociológicas e antropológicas distintivas, mas trata-se também de um esforço comunitário, de uma tradição antiga que fortalece o sentimento de pertença à comunidade, o espírito de entreajuda, a solidariedade entre as povoações vizinhas que partilham o território de Mouçós”, descreve-se.
A candidatura a esta inscrição no Património Imaterial foi feita pelo município de Vila Real em 2023. O processo fecha-se agora, bem a tempo de dar à procissão deste ano, no segundo domingo de setembro, uma carga simbólica particularmente especial.