ASF admite subida dos prémios de seguro após mau tempo e defende fundo de catástrofes

O presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões, Gabriel Bernardino, considerou “natural” a subida dos prémios após as recentes tempestades, mas defendeu que as seguradoras não devem repercutir integralmente os custos nos clientes e apelou à criação de um fundo nacional para catástrofes.

Agência Lusa
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18 fev. 2026, 20:32

O presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) admitiu hoje que é "natural" que os prémios subam na sequência do mau tempo, mas apontou que cabe às seguradoras "não repercutir completamente" os preços.

Gabriel Bernardino sinalizou, numa audição no parlamento devido aos efeitos do mau tempo, que possivelmente os prémios vão subir, "porque se se perceciona que o risco vai aumentar", nomeadamente por via do aquecimento global e maior frequência de tempestades, "quem fica com o risco, em última análise, que são os resseguradores internacionais, vão incorporar isto nos modelos de risco".

"É natural que os prémios vão subir, cabe também às seguradoras poderem ter uma almofada para não repercutirem completamente estes preços a cada um dos cidadãos", apontou, defendendo ainda a necessidade de ter um fundo para catástrofes para ter "diversificação e reflexo nos preços".

O responsável defendeu assim que é "fundamental" existir um sistema nacional integrado para proteção contra catástrofes naturais, que não seja focado apenas nos sismos.

Gabriel Bernardino apontou, enquanto era ouvido na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública, que quando falou com o ministro das Finanças, aquando do convite para o cargo à frente do supervisor, disse: "temos de ter um fundo de catástrofes e não um fundo sísmico".

"É um projeto muito complexo", assumiu, recordando que já existe alguma informação para a parte dos sismos e que existiu uma iniciativa em 2009/2010 que estava consensualizada, mas que, na altura, não avançou por causa da Troika, que era só para sismos.

Para o responsável, o que é necessário é um "sistema nacional integrado para a proteção contra catástrofes naturais", apontando que espera "oportunamente apresentá-lo ao Governo".