Capela Real do Palácio de Sintra restaurada num valor de 2.700 milhões de euros

A Parques de Sintra vai avançar com a reabilitação integral da Capela Real, num investimento de 2,7 milhões de euros, com início na sexta-feira e conclusão prevista para 2027, visando recuperar o teto mudéjar e a policromia original.
Agência Lusa
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15 abr. 2026, 18:44

A Capela Real do Palácio de Sintra, no distrito de Lisboa, vai ser reabilitada num investimento de 2.700 milhões de euros pela Parques de Sintra, disse a empresa de caráter cultural contactada pela agência Lusa.

As obras da capela do século XIV vão ter início na sexta-feira e irão incidir sobre a totalidade da capela, no interior e no exterior, tendo em destaque a recuperação do teto.

“A nossa intervenção é conservativa. Vai recuperar e promover a estabilização dos materiais com uma grande ação de conservação e restauro no teto de mudéjar [teto em madeira, pintado com desenhos, dourados, encarnados e desenhos figurativos no próprio teto]. O teto foi construído na época de D. João I, no século XV, e teve algumas alterações pós-terramoto por Dª. Maria I, com novas soluções policromáticas [contendo muitas cores]”, disse o presidente do conselho de administração da Parques de Sintra, João Sousa Rego.

A igreja sofreu várias alterações ao longo dos tempos, foi intervencionada pela última vez por Raul Lino, arquiteto que devolveu à Capela Real a sua construção inicial, retirando as particularidades do teto restaurado à época de Dª. Maria I.

Os trabalhos financiados a 100% pela Parques de Sintra têm como intuito conceber um projeto que pretende devolver “o esplendor da policromia original, que em parte foi perdida”, afirmou João Sousa Rego.

A iniciativa, que partiu de uma investigação conjunta com o Instituto Superior Técnico e o laboratório Hércules, unidade de investigação da Universidade de Évora, propõe também recuperar as pinturas murais e o pavimento alicatado, uma técnica de azulejaria em que se combinam secções recortadas de azulejos, de diferentes cores e formatos.

A Parques de Sintra tenciona reforçar a cobertura e a capacidade de monitorização futura do estado de conservação da Capela Real do Palácio de Sintra.

“O nosso objetivo é reduzir intervenções nas próximas gerações tão significativas como nós temos no património hoje em dia. Para isso, vão ser colocados sensores na cobertura que nos vão medir [valores de] humidade, temperaturas e que nos vão permitir aferir com rigor e de forma sistemática o estado de conservação patrimonial antes de causarem qualquer dano ao património”, disse o presidente do conselho de administração da empresa.

A Parques de Sintra vai promover na sexta-feira, dia do início da reabilitação, uma conferência de apresentação do projeto de conservação e restauro integral da Capela Real do Palácio Nacional de Sintra.

As obras de restauro têm uma duração prevista de 22 meses, pretendendo terminar no segundo semestre de 2027.