"O interior é mais competitivo para a criação de negócios do que o litoral"

No primeiro dia da Covilhã Innov Summit, o economista e antigo ministro Duarte Cordeiro frisou, num debate transmitido pelo Conta Lá, que quem quiser investir e criar uma empresa encontra inúmeras vantagens no interior, nomeadamente o custo de vida.
Inês Miguel
Inês Miguel Jornalista
20 abr. 2026, 17:00

A Covilhã Innov Summit pretende ser um espaço de partilha de conhecimento e inovação e no primeiro debate emitido pelo Conta Lá, esta segunda-feira, Dina Pereira, gestora da UBImedical, sublinhou que o evento é um encontro de ideias e de experiências entre empreendedores, investidores e empresários.

"Pretendemos divulgar o que se está a fazer em termos de inovação, de empreendedorismo e de criatividade na região. Queremos trazer pessoas que tenham interesse na inovação, no empreendedorismo, na biotecnologia, na saúde, no financiamento, no investimento, na sustentabilidade e na economia circular. E também queremos captar estudantes do secundário e do ensino superior para perceberem que a região tem muito para dar em termos de criatividade, investigação e oportunidades", disse.

A responsável explicou que a UBImedical é uma incubadora de empresas, com 49 startups incubadas e 11 laboratórios, de onde têm surgido projetos que se traduzem em negócios.

Dina Pereira deixou ainda um conselho para os empreendedores ouvirem o mercado e a indústria. "Vamos concretizar aproximações ao mercado e potenciar interessados em falar mais sobre aquele projeto empreendedor", sublinhou.

Para João Marques, vereador da Câmara municipal da Covilhã, com os pelouros da economia, empreendedorismo, inovação e tecnologia, estes três dias são de partilha e servem para mostrar ao país e aos investidores que "a Covilhã é o motor de desenvolvimento económico e social da Beira Interior." Referiu ainda que no ecossistema tecnológico, industrial e turístico, a cidade tem, nos últimos anos, um crescimento muito forte dentro destas áreas.

"A autarquia tem desenvolvido infraestruturas e assume sempre um papel parceiro em tudo o que são investimentos, ideias e damos condições a todas as entidades e projetos que precisem", destacou

A Covilhã, para além da indústria, retém talento e criatividade com a Universidade da Beira Interior, assim como nos cursos focados nas engenharias, na inovação e na inteligência artificial. Segundo João Marques, esse desenvolvimento científico "tem que ser transformado em inovação produtiva, e com isso conseguimos criar novas empresas, valor e postos de trabalho e é essa a nossa linha de desenvolvimento económico queremos continuar a incentivar".

Já o economista Duarte Cordeiro, ex-ministro do Ambiente e da Ação Climática, que abordou o tema "Empreendedorismo ESG", afirmou que este é um tipo de empreendedorismo que Portugal precisa e que quer obviamente ter em quantidade e qualidade. Mas que, para isso, é necessário existir uma "noção clara das necessidades, daquilo que são os desafios que o país vai ter para o futuro".

"A inovação é necessária em muitas dimensões é e também naquilo que nós precisamos de fazer do ponto de vista ambiental, do ponto de vista da descarbonização. A eficiência também é muito importante, na forma como aumentamos a circularidade, melhoramos processos para precisar de menos recursos. Pode ser fundamental na parte tecnológica para encontrar novas soluções. O empreendedorismo tem que responder a desafios concretos para poder ganhar relevância, dimensão e importância", frisou 

Duarte Cordeiro lembrou que alguns destes territórios do interior, onde existem universidades com grande capacidade como a UBI são mais competitivos para a criação de negócios do que o litoral e os grandes centros urbanos porque o custo de vida é mais baixo. "Hoje as empresas ainda não perceberam isso, porque há o efeito de atratividade de uma ilusão que é fundamental estar na zona de centros urbanos. No entanto, quem quer lançar determinadas empresas e tem consciência de que os custos são significativos na fase inicial encontra muito mais vantagens no interior". 

Segundo o economista, esta é uma realidade que "vai mudar com o tempo. Falta criar vantagens efetivas fiscais e sociais".