Emprego na indústria transformadora ganha novo ímpeto com inteligência artificial

Segundo um estudo da multinacional de gestão de talento Eurofirms - People first, o setor registou um crescimento no primeiro trimestre deste ano, com um aumento superior a 30% nas contratações face ao período homólogo, no que pode representar uma mudança de paradigma no tipo de emprego disponível e no dinamismo do crescimento económico.
Redação
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14 abr. 2026, 08:00

É um novo mundo que está a surgir na indústria transformadora com a ajuda da inteligência artificial e da automação. A conclusão é sustentada por um estudo da multinacional de gestão de talento, Eurofirms - People first, de acordo com o qual  setor registou um crescimento no primeiro trimestre deste ano, com uma subida superior a 30% nas contratações face ao período homólogo. Por outro lado, a multinacional de gestão de talento colocou, entre janeiro e março, mais de 2.000 profissionais no setor, o que ilustra um peso crescente na sua atividade em Portugal.

“O setor está mais sofisticado e tecnológico, no seguimento da integração cada vez mais acelerada de automação e de inteligência artificial (IA), associada a um aumento visível na produtividade”, revela Filipe Ramos, National Leader Outsourcing da Eurofirms, em nota enviada aos meios de comunicação social. Segundo o especialista, mais do que um crescimento quantitativo, estes números indicam uma mudança de paradigma no perfil do empregador industrial, à qual a empresa tem procurado adaptar-se.

“Assistimos a uma inversão na lógica da procura", acrescenta Filipe Ramos. "Em tempos o foco era a mão de obra a baixo custo, atualmente as empresas privilegiam a eficiência e conhecimento. Querem, por isso, perfis mais especializados, independentemente dos custos associados”.

Capacidade de adaptação

E se há certo que há pontos positivos, a empresa alerta para a complexidade acrescida na captação de perfis. “Existe uma necessidade urgente de maior alinhamento entre o ensino e as necessidades reais das fábricas”, sustenta o responsável.

Uma visão partilhada por Vasco Almeida, Regional Leader Norte da Eurofirms: "O que verificamos é que a academia tende a formar quadros superiores. Mas a realidade atual do mercado de trabalho diz-nos que a indústria carece de quadros intermédios, que estejam verdadeiramente preparados para a realidade operacional”. A realidade, realça, é que “a formação continua a ser excessivamente teórica, contribuindo para lacunas em soft skills e na adaptação ao trabalho por indicadores, turnos e à cultura de ‘chão de fábrica’”.

Importa também sublinar que é maioritariamente jovem e masculino do talento que a Eurofirms está a colocar na indústria, motivado por esta mudança. Os dados mostram que 37% têm idades entre os 20 e 30 anos, por exemplo, com 63% dos candidatos a serem homens.

Já Porto, Leiria, Alverca, Mealhada e Vila Franca de Xira lideram as colocações da Eurofirms na atividade industrial no país, com a procura mais intensa a verificar-se em funções que embora tradicionais no nome exigem hoje maior capacidade de adaptação tecnológica. É o caso de operadores de máquinas, operadores de cerâmica, operador e auxiliar de armazém, profissões cuja própria natureza arrisca-se a mudar permanentemente.