Fórum Portugal Nação Global: sete minutos para atrair investimento da diáspora portuguesa
O Conta Lá marcou presença na primeira edição do Fórum Portugal Nação Global, que reuniu mais de 800 participantes no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, nos dias 29 e 30 de abril. A iniciativa, organizada pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas em parceria com a Associação Empresarial de Portugal (AEP), surgiu como um projeto inédito no contexto nacional, com o objetivo de aproximar a diáspora do país e reforçar a sua ligação ao tecido económico.
Sete minutos. Foi esse o tempo dado a cada território português para apresentar oportunidades de investimento a empresários da diáspora, num exercício de síntese que condensou regiões inteiras em apresentações rápidas e estruturadas. No palco, sucederam-se pitches inspirados no formato TED Talk, onde territórios como os Açores, a Madeira, as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto e várias comunidades intermunicipais apresentaram propostas dirigidas à captação de investimento, num modelo cronometrado que privilegiou clareza e foco.
A condução deste momento esteve a cargo do jornalista do Conta Lá, Filipe Caetano, responsável pela apresentação do “Pitch Territórios”, um dos momentos centrais do programa. O formato obrigou os representantes regionais a sintetizar prioridades e oportunidades, concentrando a comunicação em mensagens diretas dirigidas a potenciais investidores.
Ao longo de dois dias, o fórum reuniu empresários, investidores e representantes institucionais ligados às comunidades portuguesas no estrangeiro. No total, participaram 189 empresas da diáspora, 252 empresas portuguesas e 264 instituições, somando 634 participantes provenientes de 43 países dos cinco continentes.
O programa incluiu encontros empresariais, sessões temáticas e momentos de networking estruturado, com o objetivo de estimular ligações e potenciar oportunidades de investimento. Na sessão de abertura, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, reforçou essa ideia ao considerar a diáspora “um dos principais pilares” do desenvolvimento económico e social do país e ao lançar um apelo direto ao investimento: “queremos que todos aqueles que aqui vieram possam investir em Portugal”.
Entre potencial e obstáculos
Apesar do peso económico e da dimensão global das comunidades portuguesas no estrangeiro, a ligação ao investimento em Portugal continua a enfrentar vários constrangimentos. A dispersão geográfica da diáspora, a ausência de canais estruturados de ligação a projetos concretos e a dificuldade em aceder a informação clara sobre oportunidades de investimento têm sido apontadas como algumas das principais barreiras.
A estes fatores soma-se a complexidade dos processos administrativos e a distância física, que dificultam a concretização de iniciativas económicas a partir do exterior. Neste contexto, encontros como o Fórum Portugal Nação Global procuram criar pontos de contacto direto entre investidores, empresas e territórios, facilitando o acesso a informação e promovendo relações que possam traduzir-se em projetos concretos.
O Governo tem também destacado o potencial do investimento da diáspora para o desenvolvimento do interior do país. Em declarações à agência Lusa, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, sublinhou que “Muitos destes emigrantes que estão no mundo e que emigraram há 60, 70, 80 anos têm raízes ao interior. Há aqui uma oportunidade boa para os territórios de menor densidade atrair o investimento, porque o mais importante para que um território fixe as pessoas é o emprego e é isso que queremos potenciar”.
Gala distingue percurso na diáspora
O primeiro dia terminou com a gala Portugal Nação Global, realizada na Estufa Fria, em Lisboa, que distinguiu personalidades e instituições com percurso relevante na ligação entre Portugal e a diáspora. A cerimónia destacou trajetórias marcadas pela ligação contínua ao país, sublinhando o papel das comunidades portuguesas no estrangeiro na projeção e desenvolvimento de Portugal.
Entre os distinguidos esteve o empresário António Pargana, reconhecido pelo percurso internacional e pelo investimento em Portugal, incluindo iniciativas empresariais e projetos de ligação à diáspora.
Na área científica, foi distinguida Sílvia Curado, investigadora com carreira internacional e atualmente ligada à New York University, com trabalho desenvolvido em áreas como biologia molecular, regeneração e saúde, mantendo ligação a redes científicas portuguesas no estrangeiro.
O Funchal recebeu a distinção de Município Amigo da Diáspora, pelo trabalho desenvolvido na relação com comunidades emigrantes, através de iniciativas de cooperação institucional e promoção da ligação ao território.
A primeira edição do Fórum Portugal Nação Global procurou afirmar-se como uma plataforma de ligação entre Portugal e as suas comunidades no exterior, com enfoque na criação de oportunidades económicas e no reforço das relações entre territórios, empresas e investidores.