Governo reforça Fundo de Emergência Municipal com 75 milhões de euros para municípios afetados pelas tempestades

O Governo aprovou um reforço de 75 milhões de euros no Fundo de Emergência Municipal para apoiar, de forma imediata, os municípios afetados pelas tempestades. As verbas destinam-se à recuperação urgente de infraestruturas e equipamentos, enquanto decorre a avaliação total dos danos.
Agência Lusa
Agência Lusa
15 abr. 2026, 16:54

 O Governo publicou hoje um despacho para o reforço, em 75 milhões de euros (ME), do Fundo de Emergência Municipal (FEM) como adiantamento para que os municípios afetados pelas tempestades deste ano recuperem com urgência infraestruturas e equipamentos municipais.

Segundo o despacho do Ministério da Economia e Coesão Territorial, publicado hoje no Diário da República, o reforço orçamental e de fundos disponíveis do FEM será no montante de 75 milhões de euros (ME), com a transferência para este fundo de 48.617.544 euros pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Centro e de 26.382.456 euros pela CCDR de Lisboa e Vale do Tejo (LVT).

De acordo com o despacho, as transferências para os municípios são efetuadas “a título de adiantamento por conta dos contratos de auxílio financeiro que venham a ser celebrados”.

Pretende-se que sejam utilizadas na recuperação imediata de escolas e estradas municipais e outros equipamentos das autarquias locais, “numa altura em que ainda decorre o apuramento integral dos danos e a validação das candidaturas ao FEM, pelo que não estão presentemente reunidas as condições para a celebração dos contratos de auxílio financeiro”, acrescentou o Governo.

“Este adiantamento de verbas que o Governo atribui às câmaras municipais é um apoio suplementar aos seguros, que lhes permite ter fundos para fazer frente às despesas mais urgentes decorrentes das tempestades”, disse hoje o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, sobre esta medida.

Na sequência dos danos causados pelas tempestades que atingiram o território de Portugal continental no início de 2026, o Conselho de Ministros decretou a situação de calamidade para mais de 90 municípios.

O adiantamento poderá ser atribuído aos municípios com um apuramento preliminar de danos de, no mínimo, 500 mil euros e num montante que tem como limite máximo 50% do valor dos danos.

Caso os municípios não venham a celebrar contratos de auxílio financeiro ou se estes contratos tiverem um montante inferior ao adiantamento recebido, estas autarquias terão de devolver a “totalidade do adiantamento ou do montante recebido em excesso”, consoante o caso.

Na sequência da declaração de calamidade, o Governo autorizou, para efeitos de apoio de emergência, a transferência de um montante global de 250 milhões de euros para as CCDR territorialmente competentes, destinado à recuperação imediata de escolas, estradas municipais e outros equipamentos dos municípios e das freguesias, bem como à recuperação de habitação própria permanente.

Relativamente à reparação e reconstrução de infraestruturas e equipamentos das autarquias locais, o apuramento dos danos é efetuado pelos municípios e validado pela respetiva CCDR, sendo os auxílios concedidos mediante mobilização prioritária do Fundo de Emergência Municipal.

O montante dos adiantamentos que cabem a cada município estão disponíveis no anexo do diploma, em https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/despacho/4842-a-2026-1085638502.

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.