Guarda quer assumir-se como referência no turismo do Interior
Há muito para conhecer e explorar na Guarda e na região que rodeia. Entre séculos de história e paisagens naturais, não faltam elementos para os visitantes explorarem. Haja estruturas para os acolher e uma política que aposte na atração e no desenvolvimento de atividades turísticas na zona.
É um processo em desenvolvimento e que vai ser um dos tópicos principais de discussão do II Congresso Mundial de Turismo do Interior, hoje apresentado no Teatro Municipal da Guarda e que vai decorrer no município entre 18 e 19 de novembro, após Cáceres, em Espanha, ter recebido a primeira edição em 2024.
"A importância deste congresso é absoluta e estratégica. Não estamos a falar de um debate teórico isolado, daqueles que alimentam gabinetes e não deixam nada no terreno", avança o presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa. "O II Congresso Mundial de Turismo do Interior é o principal fórum ibérico para influenciar e desenhar políticas públicas reais, atrair investimento privado de nicho e afirmar a raia não como o fim de dois países, mas como o início do novo Iberismo e o epicentro de uma nova centralidade europeia".
Para o autarca, chegou a hora da Guarda assumir "a liderança e a capitalidade regional deste movimento". O objetivo passa por "colocar no mesmo espaço decisores políticos, académicos e os agentes económicos que criam riqueza e postos de trabalho nas Beiras e na Extremadura". Desta forma, o evento poderá ser um "palco definitivo para provar ao mercado global que o turismo de interior já não é o parente pobre do desenvolvimento nacional, mas sim o motor inteligente da coesão territorial, assente na integridade do nosso património e no valor da nossa gente", atira Sérgio Costa.
Resiliência comunitária
Estamos perante a oportunidade de o município posicionar-se "como destino ibérico de turismo de montanha, saúde, bem-estar e ecoturismo, blindados pela altitude singular de 1056 metros e pelo prestígio de sermos a primeira Cidade Bioclimática Ibérica". Entre os "argumentos e ativos mundiais que mais ninguém tem", como define o presidente da autarquia, estão "os passadiços do Mondego, galardoados internacionalmente nos World Travel Awards como o Projeto Líder de Desenvolvimento do Turismo, a jóia do Estrela Geopark Mundial da UNESCO, a resiliência das nossas Aldeias de Montanha como Videmonte, e a nossa milenar alma judaica sefardita da nossa Judiaria". A isso acrescenta a "maior reserva da biosfera da UNESCO na Meseta Ibérica e as imponentes praças-fortes da Beira Alta".
Por isso os temas em discussão passarão pelos desafios do turismo neste tipo de regiões e no tipo de desenvolvimento que precisam para serem sustentáveis, sem perderem a identidade, algo transversal a concelhos raianos como Castelo Branco e Cáceres, convidados desta edição.
"A Região Centro tem os menores índices de dependência do turismo internacional volátil", aponta Sérgio Costa. "Lideramos o mercado doméstico porque apostamos no valor e rejeitamos o turismo de massas que satura e descaracteriza" com um posicionamento que "fixa riqueza", "estabiliza o emprego na chamada época baixa", e "atrai viajantes de alto poder de compra".
Consolidar este crescimento é essencial e o autarca pede com "urgência" que "o Governo central saia da inércia dos gabinetes e execute no terreno o Programa de Revitalização da Serra da Estrela". Lembra Ségio Costa que "os 150 milhões de euros consignados têm de ser convertidos em resiliência comunitária, biodiversidade e defesa da floresta contra incêndios severos, sem mais demoras ou bloqueios burocráticos".
Por outro lado, é necessário "fechar a certificação das nossas Estações Náuticas, consumar a candidatura da Serra da Estrela a Reserva da Biosfera da UNESCO e estruturar as redes de ciclismo e caminhada com o suporte do Observatório do Centro de Portugal". Progresso a discutir e acompanhar em novembro.