Mau tempo: CNA denuncia "demoras e insuficiências" nos apoios aos agricultores

A Confederação Nacional da Agricultura alertou para atrasos e insuficiência nos apoios aos agricultores afetados pelas tempestades do início do ano, considerando que as medidas anunciadas estão aquém das necessidades do setor.

Agência Lusa
Agência Lusa
23 abr. 2026, 13:19

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) alertou hoje para “demoras e insuficiências” nos apoios aos agricultores e produtores afetados pelas tempestades do início do ano, salientando que as medidas anunciadas estão “muito aquém do necessário”.

Em comunicado, a CNA sustenta ainda que, no apoio aos agricultores afetados, “o Governo não pode ignorar a situação atual decorrente da guerra no Irão” e o consequente “aumento brutal dos custos de produção e subida generalizada dos preços”, que vieram aumentar “a fatura da reconstrução”.

“Os agricultores ainda não receberam qualquer apoio para compensar os aumentos dos custos e as medidas anunciadas estão muito aquém do necessário”, enfatiza, defendendo “medidas para reverter os aumentos dos preços dos combustíveis, fertilizantes e outros fatores de produção, incluindo a regulação do mercado energético e firme e efetivo combate à especulação dos preços, quer nos fatores de produção, quer nos restantes agentes da fileira”.

Segundo a CNA, quando falta uma semana para se completarem três meses desde a tempestade Kristin e o ‘comboio de tempestades’ que se seguiu, “os agricultores desesperam face à insuficiência e à demora dos apoios”.

De acordo com a confederação, os números avançados no passado dia 15, no parlamento, pelo ministro da Agricultura, sobre valores já recebidos ou em candidatura, “estão muito aquém da real dimensão dos prejuízos e da resposta necessária”.

O motivo, garante “não é o desinteresse dos agricultores”, mas “o desajustamento das medidas e as exclusões que determinam”.

Concretamente, no que respeita à ajuda simplificada, até 10.000 euros, a CNA reclama o alargamento até aos 15.000 euros, “como aconteceu com os incêndios de 2025”, e denuncia a exclusão das culturas temporárias.

“Muitos agricultores com culturas destruídas, de milho ou hortícolas, por exemplo, são obrigados a candidatar-se ao Restabelecimento do Potencial Produtivo (medida C.4.1.3. do PEPAC [Plano Estratégico da Política Agrícola Comum], mas se não se enquadrarem nos critérios de elegibilidade (como terem prejuízos superiores a 30% da sua capacidade produtiva e acima dos 5.000 euros) ficam sem qualquer apoio”, detalha.

Para a confederação, “esta é uma situação injusta, que deve rapidamente corrigida, com a inclusão destas culturas na ajuda simplificada”.

Ainda questionado pela CNA é qual o motivo de, “a duas semanas do fim do prazo de candidaturas da medida C.4.1.3., o número de candidaturas ser tão baixo (18, de acordo com o ministro da Agricultura)”.

Se necessário, a confederação defende a abertura de um novo concurso, “para que ninguém fique de fora, com celeridade de análise, aprovação e pagamentos”.

Relativamente à floresta, a confederação agrícola considera “extremamente preocupante” que se esteja a aproximar a época de incêndios e permaneça “tanta madeira caída nas matas”.

“O Governo tem de estabelecer condições para a retirada urgente de material lenhoso, criando, simultaneamente, parques de receção de madeira para garantir preços justos para os produtores”, defende.

Adicionalmente, a CNA considera “imprescindível” a operacionalização de uma medida para a perda de rendimento, conforme previsto no PTRR – Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência, já que “muitas colheitas ficaram perdidas na totalidade, impedindo a sua comercialização e rentabilidade aos produtores”, e esta situação, nas culturas permanentes, “pode estender-se por vários anos”.