Ministro da Economia defende que turismo ainda pode crescer em Portugal
O ministro da Economia e Coesão Territorial rejeitou hoje que o país esteja demasiado dependente do turismo ou tenha “turismo a mais”, considerando que o setor ainda pode crescer, sobretudo através da valorização da atividade.
“Temos ainda por onde crescer, embora mais importante do que crescer no número de turistas é crescer na valorização do turismo, no valor que os turistas pagam para estar em Portugal, que é a forma de aumentar os rendimentos de quem trabalha” no setor, afirmou Manuel Castro Almeida em declarações aos jornalistas no Porto, à margem da assinatura de contratos de financiamento de 12 projetos turísticos no âmbito do programa “Crescer com o Turismo”.
Para o governante, não é verdade “que o país esteja demasiado dependente do turismo” ou tenha “turismo a mais”: “O turismo está a puxar o país para cima, acrescenta ao nosso produto, melhora a nossa balança comercial e é uma atividade muito importante. Numa semana ou outra do ano, num ou noutro ponto do país, pode haver turismo a mais, mas no conjunto do país, no conjunto do ano, não temos turistas a mais”, contrapôs.
A este propósito, Castro Almeida notou que “há iniciativas turísticas que os empreendedores turísticos tomam por si só e não precisam de apoios do Estado”, mas “há outras iniciativas mais pequenas, sobretudo no interior do país, de valorização do património cultural e natural, que são muito importantes, são sedutoras e são novidades para os estrangeiros” e que é preciso “dar a conhecer”.
Segundo salientou, os contratos de financiamento hoje assinados no Porto são precisamente de projetos turísticos deste tipo, prevendo apoios de 4,5 milhões de euros a um total de 12 iniciativas que correspondem a um investimento global de cerca de 11 milhões de euros.
Os projetos apoiados estão distribuídos pelas regiões Norte, Centro, Alentejo e Ribatejo, focando-se no desenvolvimento de áreas como o turismo de natureza, turismo gastronómico, turismo ativo, turismo de bem-estar e turismo cultural e patrimonial e tendo como beneficiários entidades públicas, privadas e associativas.
“Estes apoios que hoje atribuímos são sobretudo para municípios ou associações que trabalham no interior do país e que precisam do impulso público para valorizar estas regiões”, enfatizou o ministro da Economia e Coesão Territorial.
Por sua vez, o presidente do Turismo de Portugal, Carlos Abade, sublinhou que os projetos contratualizados “permitem valorizar e qualificar o território, evidenciando a riqueza e diversidade dos recursos” e “permitindo criar melhores condições para que a atividade turística possa gerar cada vez mais valor e para que o país possa ser cada vez mais próspero e coeso, em linha com o propósito e com a visão para o futuro do turismo em Portugal”.
Os projetos foram apoiados no âmbito do Programa “Crescer com o Turismo”, lançado em fevereiro de 2025 com uma dotação de 30 milhões de euros e que visa “fomentar o desenvolvimento sustentável dos territórios, com especial enfoque na responsabilidade social e ambiental, bem como na aposta na qualificação, inovação e valorização dos recursos turísticos, reforçando o papel do turismo como motor de coesão social e crescimento económico”.
As áreas de intervenção abrangidas incluem projetos de criação de produtos turísticos, a promoção de territórios inteligentes, a valorização do património histórico e cultural, a promoção da sustentabilidade, a obtenção de certificações para os destinos, a regeneração urbana e a revitalização de estabelecimentos com história, além da formação e capacitação de grupos vulneráveis para o setor do turismo e do desenvolvimento de iniciativas turísticas fundamentadas na comunidade e na multiculturalidade.