Portugal continua a ser um país de assimetrias regionais, revela Eurostat
De acordo com o mais recente relatório do Eurostat sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) a nível regional, Portugal situa-se globalmente numa posição intermédia na União Europeia, com desempenhos positivos em áreas como a educação e a redução do abandono escolar, mas fragilidades persistentes no envelhecimento da população e desigualdades territoriais.
Entre os principais indicadores, o país apresenta regiões com níveis relativamente controlados de risco de pobreza ou exclusão social, ainda que inferiores aos melhores desempenhos europeus, concentrados sobretudo em países do Norte e Centro da Europa.
No plano da educação, Portugal destaca-se pela evolução favorável em vários territórios, acompanhando a tendência europeia de melhoria das qualificações, embora continue aquém de regiões mais avançadas em indicadores como ensino superior e competências digitais.
A análise regional evidencia, contudo, fortes disparidades internas, com áreas metropolitanas a apresentar melhores resultados do que regiões do interior, um padrão comum a vários Estados-membros, mas particularmente acentuado no Sul da Europa.
Em comparação com outros países europeus, Portugal enfrenta desafios semelhantes aos de Espanha, Itália ou Grécia, nomeadamente no envelhecimento da população e na menor densidade populacional em regiões periféricas, contrastando com regiões mais jovens e dinâmicas do Norte e Leste europeu.
O relatório sublinha ainda que muitas regiões europeias registam progressos em áreas como emprego e inclusão social, mas alerta para desigualdades persistentes entre territórios, com diferenças significativas no acesso a serviços, rendimento e qualidade de vida.
No conjunto da União Europeia, os dados mostram que os avanços nos ODS são heterogéneos, com algumas regiões a aproximarem-se das metas definidas para 2030, enquanto outras enfrentam atrasos significativos, sobretudo em indicadores sociais e demográficos.
Em Portugal, estas disparidades refletem-se também na distribuição da população e na concentração de atividade económica nas áreas urbanas, reforçando a necessidade de políticas diferenciadas a nível regional.
O Eurostat refere ainda que a monitorização regional dos ODS é essencial para identificar estas diferenças e orientar políticas públicas mais eficazes, num contexto em que a coesão territorial continua a ser um dos principais desafios da União Europeia.