PTRR: “Estamos a retirar dinheiro de despesa corrente para financiar um programa infraestrutural”

O economista e professor da Porto Business Shcool, Filipe Grilo, foi o convidado de Estela Machado no segmento Objetiva, do program Juca, e apontou o dedo aos municípios na questão das autarquias terem vindo a terreiro reivindicar maior acesso às verbas do PTRR.
Pedro Reis
Pedro Reis Jornalista

Segundo Filipe Grilo, “parece contrassenso dar papel adicional às autarquias num programa que é sobretudo técnico e, por isso, pouco político”. O que acontece, acrescenta o professor da Porto Business Shcool, é que “autarquias percebem que pode haver bastante flexibilidade no destino a aplicar aos valores afetos ao PTRR”, por força daquela que diz ser “a pouca objetividade do programa”.

Mas as críticas que o economista deixou em entrevista à jornalista Estela Machado no segmento Objetiva, do prograa Juca, estendem-se ao próprio projeto a longo prazo do Governo.

Falamos de um “um problema sério por que quando olhamos para o financiamento concluímos que 50% do envelope vem da administração central, do orçamento do estado, o que significa que estamos a retirar dinheiro que serviria para alimentar a despesa corrente para financiar um programa infraestrutural”. Por isso, “o momento de lançamento do PTRR é perfeito no sentido em que surge no fim do PRR e permite ao estado manter ativas estruturas organizacionais que de outra forma se extinguiriam”.

O académico afirma ainda que um programa tão abrangente no tempo de via merecer a consulta a outros partidos: “Não consigo perceber como é que o governo programa este projeto que ultrapassa claramente a legislatura o que quer dizer que está a assumir compromissos sem qualquer autorização por parte de outros partidos que no futuro podem ter que gerir esta pasta”.

Tudo isto pode degenerar “numa situação em que temos um anúncio muito grande mas depois e passado uns tempos percebemos que não houve grande execução do planeado”. 

Por último, e quanto à coesão territorial, Filipe Grilo assinalou que deveria ser feito um levantamento do impacto das alterações climáticas no litoral e no interior, para tomar as medidas certas, sempre com base numa avaliação técnica.