REN defende armazenamento e aposta no biometano para descarbonizar setor do gás
A REN – Redes Energéticas Nacionais defendeu no parlamento que o armazenamento deve acompanhar o crescimento das energias renováveis e apontou o biometano como a solução mais imediata para reduzir as emissões no setor do gás.
A REN defendeu hoje no parlamento que “o armazenamento” deve acompanhar as renováveis e que “o biometano é a aposta mais imediata para uma descarbonização do setor do gás”.
Na comissão de Ambiente e Energia, em audições requeridas pelo PS e pelo PSD, o administrador João Conceição disse que a empresa é “acérrima defensora das necessidades de armazenamento”, argumentando que esta solução é necessária para compensar a volatilidade das energias renováveis, reforçar a segurança de abastecimento e atenuar oscilações de preços no mercado grossista.
“O armazenamento, na nossa opinião, deve vir lado a lado com o desenvolvimento de energias renováveis”, afirmou o responsável, acrescentando que esta tecnologia é “muito relevante para poder fazer uma estabilização de preços” e contrariar períodos em que o preço da eletricidade cai para zero durante o dia e sobe para perto de 100 euros por megawatt-hora nas horas de ponta da noite.
Segundo João Conceição, a REN considera que a capacidade atual da rede consegue acomodar, sem investimentos adicionais significativos, os 750 megawatts de baterias já anunciados pelo Governo, bem como projetos de hibridização entre produção, consumo e armazenamento.
Ainda assim, a REN incluiu na versão final do plano elétrico um reforço adicional de investimento de 220 milhões de euros para criar condições para nova capacidade de armazenamento, incluindo bombagem hídrica e mais soluções de curto prazo com baterias.
Na audição, em que a empresa apresentou um resumo dos planos de investimento para eletricidade e gás, a REN enquadrou estes investimentos na necessidade de garantir segurança de abastecimento, integrar renováveis, modernizar ativos e responder a objetivos de política energética, procurando ao mesmo tempo limitar impactos tarifários.
No setor do gás, João Conceição afirmou que “o biometano é a aposta mais imediata para uma descarbonização do setor do gás”, por permitir combinar objetivos energéticos com políticas agrícolas e de gestão de resíduos.
O responsável sublinhou que o biometano tem “duas grandes vantagens: é bio e, portanto, é renovável, e é metano”, o que significa que tem características semelhantes às do gás natural e exige alterações reduzidas na rede.
Ainda assim, advertiu que o potencial do biometano em Portugal continuará a ter peso limitado face ao consumo nacional de gás. “Com todo o potencial do biometano, e o potencial já visto numa perspetiva bastante otimista, estará sempre na ordem dos 5 Terawatt-hpra (TWh). O consumo de gás de Portugal no ano anterior foi 40 TWh”, afirmou.
A REN prevê, por isso, uma abordagem faseada: numa primeira etapa, com investimentos mais reduzidos para criar pontos centralizados de injeção de biometano, e numa fase posterior com eventual desenvolvimento de uma ligação específica, um gasoduto, entre Évora e Monforte, caso venha a existir massa crítica de produção.
A audição teve como objetivo debater o Plano de Desenvolvimento e Investimento da Rede de Transporte de Eletricidade (PDIRT-E) 2024 e o Plano de Desenvolvimento e Investimento da Rede Nacional de Transporte, Infraestruturas de Armazenamento e Terminais de Gás Natural Liquefeito (PDIRG) 2026-2035.