Figueiró dos Vinhos quer transformar imóveis devolutos e criar habitação acessível

A autarquia vai recorrer a um empréstimo na ordem do meio milhão de euros para transformar os 14 imóveis que adquiriu em habitação acessível. A medida visa fixar mais população no concelho.
 
Agência Lusa
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14 mai. 2026, 14:10

O Município de Figueiró dos Vinhos, no norte do distrito de Leiria, vai contrair um empréstimo de cerca de meio milhão de euros para criar habitação acessível, disse esta quinta-feira à agência Lusa o seu presidente, Carlos Lopes.

“Este empréstimo destina-se a financiar a nossa estratégia de habitação para arrendamento acessível e reporta-se à aquisição que a Câmara fez, nos últimos meses, de 14 imóveis”, que ascendeu a cerca de 500 mil euros, afirmou Carlos Lopes.

A expectativa do autarca é que, com este empréstimo, o município possa formalizar a abordagem aos proprietários dos imóveis, para depois transmiti-los à agência criada pela Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Leiria, para que “possa fazer a gestão deste património”.

Carlos Lopes adiantou que “este projeto destina-se a reabilitar determinadas zonas da sede do concelho que estão abandonadas neste momento”.

“Trata-se de edifícios em ruínas, abandonados, devolutos, que a Câmara entendeu por bem adquirir, para depois colocar no mercado, uma vez reconstruídos estes edifícios, a uma renda acessível que se estima que seja 40% inferior àquilo que é neste momento o preço do mercado”, explicou.

O presidente da autarquia salientou que a medida visa fixar mais população no concelho.

“A fixação de pessoas e, sobretudo, a resposta que é necessária dar às famílias mais jovens e também da chamada classe média e também determinadas profissões que nós entendemos que o concelho necessita, nomeadamente médicos, forças de segurança, é, de facto, essa a nossa estratégia”, declarou.

De acordo com Carlos Lopes, a estratégia municipal é, “não só a atração de investimento propriamente dito em termos de proporcionar o desenvolvimento económico”, mas também “este eixo de procurar que as pessoas possam eventualmente fixar-se em Figueiró”, acreditando que, dessa forma, o concelho terá mais residentes.

O autarca adiantou que o sonho passa, igualmente, por Figueiró dos Vinhos poder “acolher gente de outros concelhos, nomeadamente pessoas que trabalham em Coimbra”, e de outros territórios “onde a oferta de habitação seja escassa”.

A contratação do empréstimo, de médio e longo prazos, até 495 mil euros, para aquisição de prédios urbanos, foi aprovada, por unanimidade, na reunião do executivo municipal de quarta-feira.

Em dezembro, a CIM anunciou que pretende criar entre 350 e 500 fogos de habitação acessível nos 10 municípios que a integram, no âmbito do Programa Intermunicipal de Habitação Acessível.

“O programa tem como meta criar 350 a 500 fogos de habitação acessível nos 10 municípios da região, garantir rendas 20 a 40% abaixo do valor de mercado, fixar jovens e profissionais essenciais aos serviços públicos, requalificar património edificado e promover sustentabilidade energética e estabelecer governança intermunicipal inovadora”, lê-se numa informação enviada à agência Lusa.

De acordo com a Comunidade Intermunicipal, o Programa Intermunicipal de Habitação Acessível vai ser implementado pela Agência Intermunicipal Viver Região de Leiria e inclui “reabilitação de imóveis devolutos, construção nova, aquisição de imóveis estratégicos e parcerias público-privadas com preços controlados”.

A CIM integra os municípios de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.