Como a Inteligência Artificial já está a ter impacto nas urgências da Covilhã

No segundo dia da Covilhã Innov Summit, o Conta Lá promoveu um espaço de reflexão sobre inovação e inteligência artificial. Os especialistas defenderam que estas ferramentas auxiliam e potenciam a eficiência dos profissionais, mas não os substituem.
Hugo Santos Gonçalves
Hugo Santos Gonçalves Jornalista
21 abr. 2026, 12:54

Num debate promovido pelo Conta Lá, no segundo dia da Covilhã Innov Summit, sobre inovação e financiamento na saúde, o ortopedista da Unidade de Saúde Local (USL) da Cova da Beira, Alfredo Carvalho, afirmou que um sistema de Inteligência Artificial (IA) é usado nas urgências deste hospital. “Na urgência, já temos um sistema de Inteligência Artificial para análise das radiografias, que já nos diz, com um grau de exatidão muito grande, se há uma fratura”, explicou. 

Estas novas ferramentas tecnológicas são, para o ortopedista, uma forma de auxiliar o profissional de saúde, mas não substituem a avaliação médica. “Ajuda muito, sobretudo até colegas de outras especialidades, por exemplo, o colega de medicina interna, que está mais habituado a olhar para o pulmão, se calhar se houver ali uma fratura ao lado, pode não detetar”, defende Alfredo Carvalho. “Não substitui uma avaliação médica, porque, pode haver uma fratura, mas ao olhar para o doente, vão ver que tem um hematoma, que pode haver um tendão que está rasgado, ou seja, vai ser sempre precisa esta integração”, acrescenta.

Para Ana Clara Cristóvão, investigadora e CEO da start-up Neurosov, que também participava neste painel, a inteligência artificial é “uma oportunidade se houver um conhecimento sólido na sua utilização”. 

A professora da Universidade da Beira Interior (UBI) afirma ter duas visões em relação ao uso da IA na saúde – nas aulas da universidade e na prática na start-up. Ana Clara Cristóvão vê que “os alunos usam a IA, mas não têm conhecimento suficiente para filtrar o que lhes é devolvido e perceber que 80% não está certo”, enquanto, na investigação na Neurosov, há a introdução da “componente de IA para a identificação de novas moléculas com potencial terapêutico, de marcadores moleculares e comportamentais, para servirem no futuro como ferramenta de diagnóstico para estas patologias”, explica. 

A neurocientista também defende que a IA auxilia, mas não substitui o trabalho do investigador “porque é preciso sempre o conhecimento humano para perceber se o que foi dado pela ferramenta vai ao encontro daquilo que se sabe efetivamente”.

Neste debate, moderado pela jornalista Catarina Duarte Fonseca, participou ainda o administrador executivo do futuro Hospital Privado das Beiras, António Sáàgua, que vê a especialidade de imagiologia a ser a mais beneficiada pelo uso de IA. “Vai ser uma mais-valia na recuperação de tempo e recursos humanos” porque “os médicos têm mais tempo para fazer mais exames”, justifica. 

O administrador defende ainda a aplicação da IA à gestão administrativa do hospital para auxiliar o trabalho. “Nós temos um software de gestão acoplado com novas ferramentas de IA, que permite libertar espaço às administrativas para fazer outro tipo de funções e outro tipo de atendimento, tendo maior capacidade de atender com maior humanização os utentes que vão ao hospital”, refere António Sáàgua.

Também Alfredo Carvalho aponta a IA como uma forma de libertar os médicos de tarefas burocráticas. Estas ferramentas podem servir “para aliviar o médico de todas as outras tarefas mais burocráticas e repetitivas, que um sistema autónomo ou semiautónomo pode assumir, mas com a validação de um profissional nas diferentes áreas”, indica.

A Covilhã Innov Summit acontece até 22 de abril no Teatro Municipal da cidade, com a realização de palestras, mesas redondas, debates e competições tecnológicas, com participantes de todos os quadrantes. Alguns exemplos do tecido económico local, assim como novas ideias e criações dão-se a conhecer neste que pretende ser um espaço de partilha de conhecimento e inovação.